A Caça

Olha só, esse livro estava na minha lista antes de eu saber que seria publicado aqui pela Editora Arqueiro (traduzido por Alves Calado). Eu li, adorei, mas embora seja fácil de sacar pela sinopse do que se trata, vou usá-la na resenha para evitar contar spoilers. Mas relaxa que tem mais sobre o livro (sem spoilers) depois da sinopse. Afinal, SINOPSE NÃO É RESENHA!!!

Sinopse de A Caça, de M. A. Bennett:
“O ano letivo começou e Greer MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é.

Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: “caça tiro pesca”. Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio… e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras na escola.

Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita… e eles querem sangue.”

Pronto. Essa é a história de “A Caça”, mas o livro é muito mais do que a história que ele conta. Essa narrativa nos é contada pelo ponto de vista de Greer, que tem uma voz jovem, autêntica e de fácil identificação. Criada apenas pelo pai – diretor de documentários voltados para a natureza, tipo National Geographic -, Greer usa e abusa de comparações e referências cinematográficas para ilustrar seus sentimentos, entender ou contextualizar as situações que a cercam. Isso nos aproxima ainda mais da personagem e traz uma leveza para momentos bem pesados do livro.

Aliás, “A Caça” é um excelente exemplo de como livros YA (young adult) podem e devem abordar temas complexos e sombrios. Quem acha que a única obrigação do jovem é estudar para passar de ano e não se meter com drogas, está muito enganado. Os problemas que nos cercam desde muito cedo são bem mais complexos do que repetir uma matéria ou puxar um baseado. E ter esses desafios, esses conflitos expressos no papel, por meio de narrativa ficcional é uma excelente maneira de lembrar, lidar, evitar ou resolver situações assim, independente da idade. Claro que o conflito de “A Caça” é bem fora da nossa realidade atual, mas o seu tema principal está intrínseco no nosso dia a dia: o privilégio.

“A Caça” tem o dilema dos “dois gatinhos” de uma forma diferente, tem seus vilões e mocinhos, reviravoltas entre personagens, temas como necessidade de pertencer, preconceito e tradição também são abordados. Mas o privilégio é o grande “X” da questão. Assim como a tecnologia, o privilégio pode ser o herói ou o vilão e cabe a todos saberem lidar com ele. E é essa desmedida que habita as páginas escritas por M.A.Bennett.

O livro é um só, mas parece que teremos outro para dar sequência aos acontecimentos que rolam nesse aqui. A história daqui se fecha, mas a última página tem gancho, então preparem as unhas, porque elas serão ruídas.

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