A Casa de Isabel

Potencial nas palavras de uma jovem autora

Recebi das mãos de Clara Mello seu primeiro livro. Intitulado “A Casa de Isabel” (Editora Mirabolante), o livro – pequeno e curtinho – me encantou, mas não foi antes de passar pelo meu pré-conceito.

Por causa do Clube do Livro e da minha coluna Entre Linhas, na Rádio Roquette Pinto, recebo muitos livros de jovens autores. Quando a bela Clara me deu um exemplar de “A Casa de Isabel”, a primeira coisa que pensei foi “mais um”. Mas, como sempre faço, parei para ler e hoje fico muito contente em ter feito isso.

Clara escreveu quando adolescente e já se mostrou ousada. Seu protagonista é Téo, um homem e ainda por cima mais velho. Para quem tem pouca experiência – literária e de vida -, essa foi uma escolha bastante ousada da jovem escritora. Mas não foi Téo que me conquistou, foi a sensibilidade e o potencial de Clara.

“A Casa de Isabel” é narrado por Téo, amigo de infância de Isabel. Completos opostos, os dois se completavam como duas faces da mesma moeda: ela, apaixonada por Carnaval, pela vida. Ele, platonicamente apaixonado por ela, realista e leal. O livro começa com um dia de Carnaval e com um saudoso Téo, desgostoso com a vida adulta e relembrando momentos com Isabel. Mas uma tragédia ocorre na vida de Isabel e ela o chama para voltar a casa de seus pais, eis o título do livro.

Deixada intacta desde a infância deles, a casa dos pais de Isabel é como uma outra personagem no livro e não somente cenário. Juntos, Téo e Isabel relembram momentos passados, o que acreditavam ser verdade, como achavam que o futuro seria perfeito e simples, enfim, exatamente como todos os jovens encaram a vida adulta enquanto essa ainda não chega.

Embora algumas passagens demonstrem repetição além do necessário, completamente compreensível dada a inexperiência da autora, “A Casa de Isabel” conta com momentos que demonstram muita maturidade para os poucos anos da autora. Uma personagem em especial me fez querer ler mais foi Cecília, irmã mais velha de Isabel. Téo a define muito bem quando diz algo como “Cecília era quatro anos mais velha, a quantidade exata para ser inatingível”. Lindo! Quando somos crianças, ter alguém quatro anos mais velho é como um mistério a ser desvendado e esse era Cecília.

“A Casa de Isabel” conta um pouco das lembranças desses dois personagens, das saudades que têm daqueles que não estão mais por perto e ao fazer isso, conta um pouco do passado de cada leitor, sem a prepotência de estar fazendo isso. Acontece naturalmente e nos faz sorrir, chorar, lembrar. Nostalgia define o tom do livro, que se transforma em esperança, em possibilidade em suas últimas páginas, excelente equilíbrio. Vale a leitura.

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