A Grande Jogada

Aaron Sorkin é conhecido por ser um excelente roteirista com trabalhos como “The West Wing”, “The Newsroom”, “A Rede Social”, entre outros, em seu currículo. Por isso criou-se uma expectativa quando ele decidiu dirigir seu próprio roteiro para o filme A Grande Jogada (Molly’s Game, EUA, 2017). Na verdade, é uma adaptação do livro autobiográfico de Molly Bloom que conta como ela se tornou a “princesa do poker”.

O filme vai construindo a história de Molly (Jessica Chastain) enquanto tenta convencer o advogado Charlie Jaffey (Idris Elba) a defende-la no tribunal, já que ela foi presa e acusada pelo FBI, de estar envolvida em um esquema que chega até a Máfia Russa.  De promessa no ski durante as Olímpiadas de Inverno de 2002 a garçonete de um bar em Los Angeles, Molly usa sua inteligência para assessorar jogos de poker entre homens importantes que apenas querem se divertir. O problema é que Molly passa a saber muito sobre as pessoas que participam dos jogos e isso a torna alvo do FBI.

O texto de Sorkin é muito bem trabalhado. Sua forma de contar uma história sempre é muito bem construída e envolvente, a atuação de Jessica Chastain ajuda muito nessa construção. Ela parece confortável como uma mulher que precisa saber se posicionar sem chamar muita atenção para si mesma, num mundo extremamente masculino. Porém a direção de Sorkin não é tão primorosa quanto seu texto. Ele foca tanto no que escreveu que a direção se perde, dando um ar monótono ao filme. Planos fixos se intercalam com rápidos passeios de câmera que por vezes torna confusa uma cena com vários atores. Se não fosse seu texto tão bem trabalhado, o filme também seria confuso. Como diretor, Sorkin se revela um grande escritor, porque para ele o mais importante é o que os atores estão falando.

O ponto positivo de A Grande Jogada é sem dúvida a dupla principal, com total destaque para Chastain. Molly é uma personagem rica emocionalmente, uma mulher que sempre conviveu em um ambiente competitivo, por causa de seu pai, seus irmãos, que, por isso, consegue se destacar entre homens poderosos, mas sabendo que não deve brilhar mais do que eles. É surpreendente como o filme consegue mostrar com sutilezas o que é ser uma mulher tentando se sobressair em um mundo masculino. Molly sabe muito bem como deve se portar, se vestir, o que fazer e o que não fazer. Ela entende que não pode apenas aparecer, é preciso criar quase que um personagem para que confiem nela. O que mostra que Sorkin compreendeu bem as entrelinhas do livro ao mostrar essas nuances com sucesso no filme. Idris Elba também consegue entregar uma boa atuação, mas é impressionante como a presença de Jessica Chastain é forte em todas as cenas, com certeza uma das melhores interpretações da atriz.

Apesar de não ter uma direção forte, A Grande Jogada conquista por seu texto excelente e a atuação de Jessica Chastain, duas ótimas razões para ir ao cinema.

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