A Máquina Anti-Bullying

Assunto sério discutido com humor, propriedade e para todas as idades.

Na minha infância não se falava em bullying. Quando implicavam comigo na escola (ou quando eu implicava), o termo era “incarnação”. “Mãe, ele tá incarnando em mim”. Soa até meio paranormal, mas era como as crianças na década de 80 e início de 90 traduziam o que hoje chamam de bullying.

Sempre resolvi meus casos na escola, tanto pequena quanto quando adolescente, mas isso porque tive pais que entendiam e me ouviam e aconselhavam e, claro, porque meu gênio era (e é) forte. Mas vi e até defendi amigos do tal do bullying e muito me incomoda ver que até hoje ele existe e tenha até ganho mais força e presença em escolas pelo mundo. Entendo que, de ambas as partes (de quem comete e de quem sofre bullying) a razão possa vir de lares instáveis, de insegurança pessoal, de não entender ou aceitar diferenças, entre muitas outras razões. Mas isso é o topo do iceberg apenas. Como não sou psicóloga, só digo o que observo e uma das coisas que notei é que falar sobre o tema é essencial e uma das maneiras é por meio da literatura.

A Máquina Anti-bullying”, de Marcelo Amaral (Ed. Vermelho Marinho) trata do assunto de forma leve, divertida e não superficial. A turma de amigos responsável pelo jornal da escola – o Página Pirata – enfrenta uma ameça complicada. Um grupo formado por três valentões praticam bullying contra Plínio (também chamado de Paçoca pelos seus amigos). Eles o chamam de gordo (Plínio é acima do peso e adora comer), de CDF (ele é um gênio!) e até o agridem fisicamente. O que o menino faz? Constrói uma máquina anti-bullying para se defender e o efeito é catastrófico! Ela inverte tudo que a pessoa fala. Ou seja, se um valentão o chama de gordo, o valentão infla como um balão! Parece engraçado, mas é bem complicado pois a situação também expõe seus amigos, o que nos leva a outro ponto importante do livro.

Amigos também dizem coisas que ferem os sentimentos. Não é por mal ou com a intenção de ferir, mas é muito importante que os amigos entendam que sofrer bullying é muito constrangedor e dolorido emocionalmente e que o apoio é essencial para vencer essa dificuldade e resolver os problemas.

E, para fechar, Marcelo Amaral aborda, ainda, um terceiro tipo de bullying: o cometido por professores. Acredito que esse seja ainda pior, pois é realizado por pessoas em posição de autoridade, que têm a função de instruir pessoas em fase de formação de caráter. Eles devem ser exemplos a serem seguidos e não mal exemplos.

A Turma da Página Pirata estreou nas livrarias com uma aventura bem legal e lúdica chamada “Paladinum Pesadelo Perpétuo” e o legal de “A Máquina Anti-bullying” é que se passa na vida real. Não existem vilões magnânimos ou portais que levam para outro mundo. O problema está na escola e deve ser enfrentado todos os dias e isso não tira sua importância, mas adiciona a ela.

A narrativa de Marcelo Amaral mostra amadurecimento quando comparada ao seu primeiro livro. A linguagem utilizada é leve, o desenvolver de seus personagens é feito com coerência e a história equilibra a tensão do bullying, com aventura, com humor e com uma lição importante sem ter o peso de “uma lição de moral”.

A leitura de “A Máquina Anti-bullying” diverte jovens e não tão jovens, até porque o assunto é atual e não tem idade. No ambiente de trabalho, o bullying se transforma em assédio moral e também faz vítimas diariamente. Para essas, fica a dica de ler a “matéria” escrita por Pastilha no final do livro. “O mundo dá voltas”.

Veja as tirinhas da Turma da Página Pirata.

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