A Noite da Espera

Milton Hatoum conquistou meu coração de leitora com “Dois Irmãos” e desde então tento ler tudo o que ele escreve. Quando vi que ele estava lançando o primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio corri para a livraria e comprei “A Noite da Espera”. Demorei alguns meses para conseguir chegar nele, um pouco por culpa da pilha interminável de livros e um pouco por que não estava no espirito de mergulhar nos anos de chumbo da ditadura militar, mesmo que só na ficção. É interessante como fatos de impõe e os documentos da CIA mostrando que Geisel e Figueiredo sabiam e aprovavam as mortes nos porões da ditadura me empurraram para o livro de Hatoum.

Martim é um adolescente paulistano que com a separação dos pais se muda para Brasília no final dos anos de 1960. Rodolfo, o pai, é um engenheiro que apoia o regime e quer crescer e ser respeitado. Lia, a mãe, se casa com um artista e desaparece da vida do filho, envia algumas cartas apenas. Martim passa seus anos de formação em meio a truculência do Estado e a estudantes que lutam contra uma ordem que seus pais apoiam ou servem.

Todo o livro é contado pelas anotações que Martim fez de um período que vai de 1968 até 1972. São anotações que mostram a discrepância entre o que viviam os jovens de Brasília e seus pais, muitos deles funcionários do governo, mostram também as tensões na UnB. O mais chocante do livro é ver que muita das questões debatidas são de uma atualidade aterradora. As posições políticas, o radicalismo, as duvidas sobre a crueldade do regime, todas questões que deveríamos ter superado e que ressurgem nesse ano eleitoral, infelizmente.

“A Noite da Espera” não é dos melhores livros de Hatoum e ao mesmo tempo é apenas o começo de uma trilogia sobre uma época que não deveríamos esquecer jamais e muito menos tentar apagar todo o seu terror.

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