A primeira história do mundo

Me venderam esse ótimo livro como sendo um romance histórico, ele não é. Não é um romance, não é um ensaio, não é um texto acadêmico. Eu não sei como classificar esse livro. Alberto Mussa faz um relato sobre o primeiro crime da cidade do Rio de Janeiro em 1567, mas não é o crime romanceado, é ele, Mussa, nos contando o que o processo registrou. É ele comentando, levanto hipóteses, entremeando o relato do crime com as lendas indígenas da região da cidade. É um livro difícil de classificar e saboroso de se ler.

“A Primeiro Historia do Mundo” veio parar na minha mão porque adoro romances históricos e queria ler um nacional. Logo de cara vi que não era o que esperava e que isso não era um problema, pelo contrario, foi uma grata surpresa. Mussa tem uma conversa com o leitor onde ele conta o processo sobre o primeiro crime que ocorreu no Rio de Janeiro, o assassinato a flechadas do serralheiro Francisco da Costa, os depoimentos das testemunhas e os dez suspeitos. É um relato que tem estrutura de conversa, que em dado momento traz Agatha Christie para elucidar pontos e deixar a leitura ainda mais interessante.

O que mais me encantou no livro é como Mussa conta as lendas indígenas, como relata a guerra entre Tamoios e portugueses, uma parte da nossa historia tão pouco explorada e tão rica. A importância da onça e as lendas em torno dela são as minhas partes favoritas. Se escreve muito pouca ficção usando nossas lendas, nossas crenças. Toda a vez que vejo um novo livro sobre vampiros lembro se um ótimo conto português em que o personagem é atacado por um vampiro e não sabe o que aconteceu pelo simples motivo que vampiros não fazem parte de seu universo (leia aqui). Não sou tão radical, podemos saber das lendas das demais culturas, mas bem poderíamos conhecer as nossas também. As lendas indignas, como mostra Mussa, são ótimas e ricas.

Voltando a trama do livro, o assassinato, é um crime misterioso, mas ele importa pouco, é apenas um pretexto para se falar do Rio de Janeiro nos seus primórdios, de como a cidade se formou, da guerra entre índios e colonizadores. É uma viagem por uma cidade no seu nascedouro, uma cidade que tem 450 anos. “A Primeira História do Mundo” é uma leitura imperdível para quem uma boa conversa regada a muita história e cultura.

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