A TARDIS chega ao Rio de Janeiro

Doctor Who World Tour termina no Rio de Janeiro com muita emoção

doctorDoctor Who é um seriado de ficção científica britânico que dura há gerações, com o Time Lord – the Doctor – sempre se regenerando e trocando de ator. Ao lado de um companheiro – ou companheira – o alienígena viaja em uma máquina do tempo – TARDIS, que tem a aparência de uma cabine telefônica policial britânica – pelo espaço e tempo.

O último Doctor, ou Doutor, foi interpretado por Matt Smith, que se regenerou e se transformou em Peter Capaldi. Acompanhado da professora de literatura inglesa, Clara (interpretada pela linda e excelente atriz Jenna Coleman), Doctor está prestes a entrar em mais uma temporada, inaugurando o legado de Capaldi como o personagem.

Jenna, Capaldi e Steven Moffat – roteirista e produtor executivo de Doctor Who e de Sherlock – estiveram em vários lugares do mundo para promover a nova temporada, que estreia em 23 de agosto. O Rio de Janeiro fechou a Doctor Who World Tour e trouxe, além de um bate papo com os três, o primeiro episódio – “Deep Breath”. Os fãs foram ao delírio!

É possível ter alguns spoilers do episódio. Nada grande, mas como todo o cuidado é pouco, considere-se avisado.

Escrito por Moffat, “Deep Breath” começa logo após a regeneração do Doutor, transição que o deixa meio fora de órbita, confuso e sem entender onde exatamente está ou é. De aparência mais velha e intensa, o novo Doutor ainda é o antigo, mas em outro corpo. E é essa novidade que é abordada como tema do episódio. Até onde julgamos os outros com base somente na aparência? Como sabemos que o que está dentro continua igual se o exterior mudou tanto? Em um diálogo excelente entre Clara e Vestra, o tema de preconceito por razão da aparência é destrinchado com excelente atuações e roteiro.

Da aparência, vamos para a confiança. Se ele mudou, ele ainda é o mesmo? Ainda o conheço? Ainda posso contar com ele? A confiança no outro, a cumplicidade entre Clara e o Doutor, a maneira como se completam é muito bonita e explícita nesse episódio. Sem dúvida, ficou muito mais fácil para os fãs de Matt Smith aceitarem Capaldi ao final desse episódio. Isso sem contar que o Doctor de Capaldi consegue ser experiente sem ser chato, sombrio sem ser estranho e engraçado sem ser boboca. Equilíbrio perfeito!

O episódio ainda traz elementos steampunk como autômatos, traz também um romance lésbico, um dinossauro e tiradas incríveis que incluem novidades e referências a personagens passados. E uma surpresa incrível quase no final.

Depois de um episódio de tirar o fôlego e arrancar lágrimas, chegou a hora de receber os atores e Steven Moffat no palco. Nem é preciso dizer que todos foram devidamente ovacionados e que Capaldi, diferente dos demais, que entraram pelas coxias, subiu ao palco vindo da plateia. Um escândalo só!

Com muito humor e simpatia, Moffa, Jenna e Capaldi responderam perguntas dos fãs e dos mediadores.

Moffat disse ser muito tímido e chegou a considerar não produzir/escrever Doctor Who por ser tão difícil e dar tanto trabalho. Mas uma ligação do seu pai o fez mudar de ideia. Aos dez anos, Moffat disse que se deixava viajar com Doctor Who, pois achava que o personagem gostaria dele. Muito tímido, ele não se identificava com James Bond ou outro personagem, mas achava um vínculo com o Time Lord. Sua professora dizia que não adiantava se perder no seriado no lugar de resolver seus problemas. “Eu ainda não liguei para ela para saber se ela ainda acha isso”, disse Moffat, rindo.

Já Peter Capaldi disse que, quando o informaram que ele fora escolhido para interpretar o 12 Doutor, ele ainda não podia contar a ninguém. “Eu corri para um canto e surtei em silêncio. Dormi falando para mim mesmo ‘Eu sou o Doctor Who!’e acordei falando ‘Eu ainda sou o Doctor Who’. Foi incrível! Quando criança, sempre imaginei que ele estava por aí, pronto para te ajudar se a vida estivesse difícil. Doctor Who faz parte do meu DNA.”

Já Jenna se sentiu triste em se despedir de Matt Smith, mas ela considera um privilégio estar ao lado de Capaldi na nova temporada. “Com Matt, foi o final de uma era, mas uma nova está começando com Capaldi e isso é muito excitante. É incrível estar ao lado dele desde o primeiro dia e ver como ele criará o Doutor dele. Me considero privilegiada”.

Ao perguntar como a vida mudou depois que se tornou o novo Doctor, Capaldi apontou para o público e sorriu: “Agora eu entro em um lugar e duas mil pessoas gritam de felicidade. Isso nunca foi comum pra mim”, brincou.

Moffat disse estar encantado com a paixão dos fãs pela série e que, embora estar em eventos assim pareça ser algo que fazem todos os dias, não é. “Meu trabalho consiste em escrever loucamente sozinho e pedir desculpas pela quantidade de coisas que não consigo terminar ou fazer. Então, por favor, não achem que o amor que sentem por nós não é apreciado. Essa paixão que vocês, fãs, têm pelo nosso trabalho significa tudo para nós. Obrigado”, disse ao final do evento.

Ao ser questionado como ele consegue equilibrar os roteiros e produção de DW e Sherlock, Moffat foi sincero: “Não consigo! Queria dizer que eu divido o meu tempo entre organizar em planilhas enormes tudo que tenho que fazer e minha aula de yoga, mas na verdade, eu só digo AI MEU DEUS! EU AINDA NÃO FIZ ISSO!”

Confira um pouco mais sobre o que rolou no bate-papo.

Ao questionar o papel de companheira do Doctor:

Moffat – “Acho que o papel de acompanhante do Doutor é muito importante porque não é o Doutor que as torna melhor, mas o contrário. O Doutor é uma boa coisa para se ter no mundo e a acompanhante – a companheira – o torna melhor. A companheira o transforma de ameaça em herói e um bom Doutor salva a todos”.

Jenna – “Acho que todas as acompanhantes foram incríveis, mas Clara é diferente. Ela já é muito segura de si quando o Doctor a encontra e ganha ainda mais confiança durante o tempo que passam juntos”.

Como é este novo Doutor?

Capaldi – “Não posso ser um Doctor separado deles, porque em essência nós somos o mesmo. E não precisei estudá-los porque conheço todos muito bem. Amo o seriado. Mas ao mesmo tempo tenho uma maneira diferente, horando sempre o moral do personagem. Acho que o Doctor valoriza a todos, independente de raça, gênero, classe social. Para ele, todos importam e isso pra mim é muito importante. Atravessamos o mundo para promover o seriado e essa realidade confirma o que sinto”.

Moffat – “Muitos me perguntam se ele é mais sombrio. Doctor Who sempre foi sombrio, mas este, pela companheira que tem, ele se permite ser mais complexo, se mostrar mais para ela porque confia muito nela. Então é normal de algo aparentar ser mais sombrio”.

Poucas palavras para descrever o que vem por aí.

Capaldi – “Não confie em ninguém”

Moffat – “Morte” (e o público gritou muito. Muito mesmo!)

Vilões preferidos?

Jenna – Wheeping Angels e Silence

Capaldi – Daleks

Moffat – “Só existe uma resposta correta, que é a minha. Daleks” (e o povo gritou de novo)

Fique agora com uma mensagem do novo Doctor para os fãs brasileiros.

Para quem curte Doctor Who ou quer começar a curtir, as editoras Rocco e Suma estão com livros baseados no seriado. Vale conferir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *