A Terra Longa

Quando Terry Pratchett anunciou em 2007 que havia sido diagnosticado com uma forma rara de Alzheimer, ficou claro que aquela imaginação aparentemente infinita estava para se calar. Nos anos seguintes, ele ainda publicou cinco volumes da série Discworld, e pudemos nos despedir em grande estilo de personagens geniais como a jovem bruxa Tiffany Aching. Mas a grande surpresa foi um projeto ambicioso, épico: a série A Terra Longa, cujo primeiro volume (de cinco) agora chega aqui pela Bertrand Brasil, com tradução de Ronaldo Sérgio de Biasi.

É uma história de exploração através de várias versões paralelas da Terra. Viajar é fácil: basta um pequeno aparelho feito com uma batata. Isso mesmo, uma batata. Algumas pessoas têm o dom de saltar naturalmente de um universo para outro, como o protagonista Joshua Valienté, que explora essas Terras ao lado de um monge tibetano chamado Lobsang, que diz ser a encarnação de uma inteligência artificial.

Mas não se trata dos universos paralelos já explorados pela Ficção Científica: não temos aqui histórias alternativas, versões da Terra em que Hitler venceu a guerra, etc. Não se trata disso. O que temos são planetas vazios, sem seres humanos. Por isso, grande parte da população da “nossa” Terra resolve emigrar e começaar vida nova no que parece ser um paraíso. Espaço é o que não falta, já que são inúmeros planetas, embora alguns tenham certas variações em relação ao nosso. Não se pode transportar nada feito de ferro, portanto logo de cara há uma limitação tecnológica.

Pratchett (de chapéu) e Baxter

Pratchett teve a ideia original décadas atrás. Pra ajudar a desenvolvê-la enquanto lutava com a doença, chamou um escritor britânico consagrado, Stephen Baxter, especialista em Ficção Científica “hard”, que já tinha colaborado assim com Arthur C. Clarke, e também escreveu continuações muito interessantes de A Máquina do Tempo e Guerra dos Mundos, de H. G. Wells. Os dois últimos volumes de A Terra Longa foram publicados após a morte de Pratchett em 2015, e provavelmente têm mais de Baxter.

O primeiro volume lança mais perguntas do que respostas (o que é ótimo). Ao longo da viagem, Valienté, Lobsang e companhia acabam encontrando outras formas de vida. Pratchett e Baxter exploram as origens do Universo e da vida inteligente, além de temas mais pessoais como família e relacionamentos. Parece muito profundo, mas os autores mantêm o ritmo ágil e a narrativa leve (mas não espere o humor da série Discworld).

Se não chega a ser a obra-prima que gostaríamos para nos despedir de Pratchett, é uma viagem sempre instigante em que vale a pena embarcar.

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