A Vida num Sopro

O romance de José Rodrigues dos Santos começa como uma grande história de amor e se transforma em um relato sobre os primeiros anos da ditadura salazarista em Portugal. É um romance histórico desesperançoso e uma boa leitura.

A primeira parte do amor entre Luis e Amélia é clássica. Dois jovens, no final dos anos 1920, se conhecem no colégio e começam um namoro recatado no interior de Portugal. A mãe de Amélia é contra o namoro e desse momento em diante esse relacionamento começa de degringolar, até assassinato ocorre e a historia começa a mudar. Se na primeira parte é um livro sobre amor, da segunda em diante a política começa a ganhar espaço.

Luís, mesmo nos primeiros anos da ditadura, é contrario a falta de liberdade do novo regime e é esse olhar que acompanhamos. Eu conheço pouco a historia portuguesa, quase nada na verdade,  e ver os desmandos do regime na vida do herói do livro é igualmente triste e revoltante. A atuação da PVDE, a policia política da ditadura, é inacreditável, ela define até em que cidade Luís pode trabalhar. Essa parte mais política do livro, que fala sobre informantes espalhados pelo país, da falta de liberdade, das leis que transformaram as mulheres em propriedade de seus maridos, é a que mais me envolveu na leitura.

A parte final é a síntese da desesperança, uma desesperança fácil de entender, o livro se passa na década de 1930, a maior parte, e a ditadura portuguesa só acabaria com a Revolução dos Cravos em 1974. Portugal ainda tinha pela frente mais de 40 anos de ditadura pela frente. As conversas entre os que defendem e os que são contra o regime permeiam o livro e são instrutivos para o leitor, como eu, que conhece pouco do que foram os anos de ditadura em Portugal.

“Vida num Sopro” é um bom livro que muda de rumo no meio. O amor de Luís e Amélia é deixado de lado para se contar uma historia mais interessante, é verdade. Mesmo assim é um bom romance histórico, repleto da melancolia tão característica dos portugueses.

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