Açúcar de Melancia

Um pouco sobre o romance nosense de Richard Brautigan

acucar de melancia“Açúcar de Melancia” é um livro BEM LOUCO. Então, antes de mais nada, mantenha a mente aberta. Publicado originalmente em 1968, a história é fruto do período da contracultura, e trata, de maneira um tanto sarcástica, da vida da comunidade que habita euMORTE, um lugar onde praticamente tudo é feito de açúcar de melancia. Bem, é isso mesmo.

Eu não sabia absolutamente nada sobre Richard Brautigan, e me interessei pelo livro inicialmente por causa da capa (compro livros pela capa, me julguem), depois porque amo melancias, e depois de ler a sinopse fiquei ainda mais curiosa porque tenho uma atração pelo surrealismo e pelo nosense. Procurei informações sobre o autor e descobri que a própria vida dele podia dar um livro. Um dos ícones do movimento contracultural dos Estados Unidos, Richard foi abandonado aos seis anos e, aos 20, pediu pra ser preso, pra não passar mais fome e frio. Tempos depois, já em um hospício, recebeu o diagnóstico de esquizofrenia e depressão e foi tratado com eletrochoques. No ano anterior à publicação de “Açúcar de Melancia”, publicou “Pescar Truta na América”, que alcançou milhões de exemplares vendidos. “Açúcar de Melancia” recebeu sua primeira edição no Brasil só este ano, pela Editora José Olympio.

Confesso que não foi uma leitura fácil. É algo pra abrir a mente e viajar junto realmente (ou eu talvez não tenha alcançado o nível de profundidade que deveria, não sei). A trama se passa em um mundo distópico e completamente surreal, onde, como eu já comentei, quase tudo é feito de açúcar de melancia. Lá os rios são pequeninos e os lugares em uns nomes estranhos, mas fora esses aspectos parte mágicos, parte curiosos, parte bizarro, tudo em euMORTE se passa como em uma cidade comum. A rotina,  os dias de trabalho, as amizades, relacionamentos, tudo transcorre como é por aqui. No entanto, as coisas começam a ficar um tanto assustadoras no decorrer da história – que é contada por um narrador cujo nome nunca conhecemos -, e os personagens vão nos causando um estranhamento, um incomodo, muito maior do que qualquer aspecto estranho do local fantasioso.

Eu sinceramente terminei de ler “Açúcar de Melancia” e fiquei sem uma opinião completamente formada. Se por um lado não posso dizer que não gostei, por outro também não sei se gostei totalmente. O que eu posso dizer é que é daqueles livros que a gente lê pela experiência sentida no decorrer da leitura, pois essa sim, valeu muito. Nunca havia me deparado com uma história assim e aposto que nem tão cedo conseguirei encontrar algo que sequer seja parecido.

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