Adaptações para cinema e tv

Revisitando a parte da minha modéstia biblioteca que contem os livros que ganharam as telas. Eu sou do tipo que lê o livro e vê o filme, volta e meia a ordem é inversa, e não faço isso com o intuito de ser aquela pessoa chata que diz ao sair do cinema “o livro é melhor”. O que me leva a ler os livros, até mesmo os que inspiraram filmes que já vi, é a curiosidade de ver a interpretação de outra pessoa daquela história.

Adaptações de livros para o cinema sempre vão desapontar os leitores do original, afinal a sua imaginação é muito mais rica do que qualquer técnica cinematográfica. Você não é obrigado a fazer adaptações e cortes para que a história caiba em um tempo certo e que gere muito dinheiro.

As possibilidades de adaptações de livros são infinitas e os resultados nem sempre são bons. No topo da minha lista de ótimas adaptações está o clássico de Margaret Mitchel “E o vento levou”. O livro é tão envolvente quanto o filme. Scarlet é descrita exatamente como Vivian Leigh a transpôs para o cinema. Tenho que confessar que não conseguia imaginar a personagem principal com outro rosto, já Rhett Buttler é uma outra história. Clark Gable foi muito mal escalado para o papel. É claro que uma serie de situações que acontecem no livro foram cortadas, como os outros filhos que Scarlett tem com seus dois primeiros maridos, mas no todo o filme é fiel ao livro e se tornou um clássico ainda maior do que sua versão impressa.

Outra adaptação de que gosto muito é “Entre Dois Amores”. Baseado em um dos meus livros favoritos “A Fazenda Africana” de Karen Blixen. O filme é uma linda história de amor vivida por dois grandes do cinema americano, Meryl Streep e Robert Redford, e chegou até a ganhar o Oscar. O filme é ótimo, mas eu diria que é mais inspirado no livro do que adaptado, o livro é muito mais sobre a África que Blixen tanto amava do que sobre seu romance com fim trágico. Mas esse é um exemplo de pode-se criar um ótimo filme não sendo fiel a um ótimo livro e tudo bem. Acho que passei a gostar mais do filme depois que me apaixonei pelo livro.

Um bom exemplo de que ao serem adaptados os livros tem que respeitar o meio é “O Iluminado”. O livro de Stephen King é aterrorizante por si só. Quem não lembra de Joey de “Friends” escondendo o livro no freezer? Eu tive mais ou menos essa reação ao ler o livro. A adaptação de Kubrick tem uma serie de licenças poéticas que transformaram o filme em um clássico do terror, daqueles que dá medo mesmo. Pra mim isso é uma boa adaptação, mas não é a opinião de Stephen King que nos anos noventa resolveu ele mesmo adaptar seu livro. Foi uma minissérie para a TV que não teve um décimo do sucesso do filme. Era inegavelmente mais fiel a história e igualmente mais chato e menos aterrorizante. King quis transpor as paginas para as telas, não é assim que se adapta. Ele deveria ter aprendido essa lição com Kubrick que fez a transposição das paginas para as telas com maestria.

Nos últimos tempos li os dois primeiro livros da série Rizzoli e Isle de  Tess Gerritsen e os livros escritos pelo personagem fictício Richard Castle. Os primeiros foram adaptados para a televisão em uma boa série (leia mais). Ao ser transportado para a televisão a trama policial perdeu muito do seu peso, ganhou pitadas de comédia e duas protagonistas mais cativantes. A adaptação me levou aos ótimos livros e agora sou fã da detetive e da legista nas páginas e na telinha.

Já Castle é uma história completamente diferente. Os livros escritos por ele foram criados como uma forma de publicidade para a série e acabaram entre os mais vendidos (leia mais aqui e aqui). São dois livros divertidos, mais divertidos para quem vê a série, mas que facilmente podem ser apreciados por quem gosta de livros policiais.

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