Alice no Rio

Há mais de 150 anos, Alice caia por uma toca de coelho que a levava para o País das Maravilhas. Mas em 2013, Alice veio parar no Rio de Janeiro, andou por Ipanema, sentiu os cachos dourados ficarem empapados de suor durante o verão, subiu o morro, foi parada na blitz da Lei Seca, caiu, desmaiou, levou bala perdida, se perdeu no Carnaval, foi para Petrópolis ….. Alice é você, sou eu, somos todos os cariocas e turistas que passam pela Cidade Maravilhosa.

Este ano, comemoramos 450 anos do Rio de Janeiro e um livro passado na cidade caiu como uma luva para o festejo. “Alice 2013, um Rio que ficou em nossas vidas” (Escrita Fina) é o novo trabalho da autora Fania Benchimol que, mais uma vez, me roubou as palavras ao publicar um livro que não pode apenas ser lido, mas deve ser apreciado e estudado.

Metáforas, imagens, ritmo, cadência …. Fania é uma bruxa boa das palavras. Ela mistura o gato sorridente com menino de comunidade, a toca é bueiro, e Alice é, simplesmente é.

A narrativa de “Alice 2013, um Rio que ficou em nossas vidas” traz de volta características marcantes da escrita de Fania – que me deixou boquiaberta com a excelência de “O Sofá Laranja”, mas ela vai muito além.

A Alice de Fania lembra a clássica na descrição e na curiosidade da menina. Mas essa Alice quer algo além. Essa Alice não quer escapar uma tarde tediosa, uma vida regrada e já imposta. Não. Essa Alice quer gritar, se revoltar, se renovar. A Alice do Rio de 2013 não se cala, fica rouca, cai, levanta e continua. E eu acompanho. E você a acompanha porque todos somos Alice.

“Alice caminha pela Visconde de Pirajá. Os braços enfraquecidos mal conseguem carregar as sacolas de presentes recém-abertos no Natal. Trocar a tomara que caia, trocar a rasteirinha, trocar de trabalho, trocar de amigos, trocar de vida” (Alice no Rio de Janeiro)

A edição, linda e de capa dura da editora Escrita Fina, é ilustrada por Walter Goldfarb e, além do texto e das imagens, traz também links de fatos que ocorreram durante o ano de 2013 em que se passa a história. Cada aventura de Alice durante os meses do ano é baseada em algum fato real ocorrido naquele mesmo mês, o que transforma o livro novamente. Ele é completo: lindo e repleto de conteúdo em entrelinhas riquíssimas.

E o engraçado é que poderia falar o dia inteiro sobre o livro e sobre o quão incrível ele é, mas, ao mesmo tempo, as palavras me fogem.

“Alice 2013, um Rio que ficou em nossas vidas” é o tipo de livro que precisa ser degustado. Quer entender como o nosso idioma é lindo? Como nossos autores brasileiros contemporâneos são incríveis? Então é só buscar por um livro da Fania Benchimol na livraria. Ela já deveria ser estudada nas escolas e não digo isso porque a conheço. Digo isso porque é fato. Fania pode muito bem integrar um novo movimento literário brasileiro. Tivemos tantos e hoje em dia tudo parece tão fantástico e pasteurizado. Fania é cereja no topo do bolo, bolo esse que apetece a todos que buscam algo diferente e com conteúdo e que amam a nossa bela língua.

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