Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

O magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) está de volta em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald, 2018) e, dessa vez, parece finalmente ter aprendido a controlar suas criaturas errantes.

Dirigida por David Yates, a continuação se passa em 1927, um ano depois de Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016), e, além do elenco original, que conta com Katherine Waterson, Dan Fogler, Ezra Miller e Johnny Depp, Jude Law foi chamado para integrar o time e interpretar o bruxo Albus Dumbledore e Zoë Kravitz para o papel de Leta Lestrange.

Depois de voltar para casa, em Londres, Newt terá que responder ao Ministério da Magia pelas bagunças que causou em Nova York, com seus monstrinhos, e corre sérios riscos de ter seu passaporte confiscado, o que o impediria de continuar viajando por aí em busca de novas criaturas exóticas para estudar. Enquanto isso, Grindelwald (Johnny Depp) escapa da prisão e, mais uma vez, os caminhos de Newt, Tina, Jacob e Queenie se cruzam. Juntos, eles precisam encontrar uma forma de impedir os planos de Grindelwald de reunir seus seguidores a fim de instalar uma supremacia dos bruxos de sangue puro e uma guerra entre bruxos e não-bruxos.

Nem uma prequel, nem uma continuação do universo de Harry Potter. J. K. Rowling, que assina os roteiros da franquia, com ajuda de David Heyman e da Warner Bros, cria uma expansão do mundo mágico, prometendo cinco filmes da nova saga. Nós, fãs, agradecemos, é claro. Mas fica no ar a eterna dúvida se tudo o que já foi criado antes – na série Harry Potter – será respeitado, em termos de narrativa, ou se veremos “liberdades artísticas” que poderão colocar em risco a cronologia e a coerência do mundo já criado pela escritora.

Em Os Crimes de Grindelwald, por enquanto, a cronologia não sofre mudanças dramáticas. Exceto pela participação especial de uma certa professora de Hogwarts, que talvez signifique que essa professora, então, era muito mais velha na saga do Harry Potter do que pensávamos, tudo parece se encaixar. Ao colocar um jovem Dumbledore na nova franquia, interpretado por Jude Law (maravilhoso, aliás!), Rowling provoca uma curiosidade enorme nos fãs em relação ao seu passado (que sabemos muito pouco graças ao universo expandido que J. K. escreveu para o portal pottermore.com) e coloca em risco o protagonismo de Newt Scamander. E, embora o passado de Dumbledore ainda não tenha sido profundamente explorado neste segundo filme, fica evidente que conheceremos mais de sua história com Grindelwald, sua irmã e sua família ao longo dos próximos longas. E ao que tudo indica testemunharemos a batalha final entre os dois grandes bruxos, Dumbledore e Grindelwald, que se dá em 1945 nos livros de Harry, no quinto e último filme da franquia. Quem é fã sabe como essa história termina, então, imagino que Rowling esteja preparando surpresas que nada terão a ver com a linha do tempo que já conhecemos.

Nesse segundo filme também somos apresentados a uma personagem conhecida pelos fãs, a cobra de Voldemort, Nagini. É explicado que Nagini, uma bruxa de origem indonésia, vem de uma família de bruxos com uma condição que os impede de controlar, depois de uma certa idade, a transformação do próprio corpo em animal. Eles deixam de ser animagos e passam a viver na pele do animal para sempre. No caso da Nagini, uma cobra. Vale ressaltar aqui que, para quem não é fã e não conhece as datas, Voldemort, o grande vilão da saga de Harry Potter e que vai tornar sua cobra, Nagini, uma horcrux, nasce no ano de 1926, ano em que se passa Animais Fantásticos e Onde Habitam, portanto, se Rowling seguir essa linha do tempo, Voldemort agora teria um ano de idade. E, ao contar a história de Dumbledore até 1945, quando veremos a tal da batalha final contra Grindelwald, Voldemort já será um jovem sedento por poder. Isso quer dizer que certamente podemos esperar mais revelações sobre seu passado vindo aí.

Para quem gostou do primeiro filme e de seu tom de aventura, ficará ainda mais satisfeito com a continuação. Para quem não gostou do primeiro filme, talvez por ter achado bobo, infantil ou sem graça, tenho o prazer de lhe dizer que você terá que encontrar outros adjetivos para definir Os Crimes de Grindelwald.

É evidente o amadurecimento não apenas da história e dos personagens, mas do roteiro de J. K. Rowling. E polêmicas à parte, ainda que Johnny Depp tenha ficado pra sempre preso na trip Jack Sparrow, sua participação, embora doa no coração dos fãs que sabem mais dos bastidores que o grande público, não atrapalha nem estraga a experiência do expectador diante de uma produção impecável e visivelmente tão bem planejada.

Não posso negar que estou me sentindo aquela Vivi de 2001, olhinhos brilhando, prestes a entrar no cinema para ver Harry Potter e a Pedra Filosofal, ainda que a expectativa e curiosidade estivessem à época trabalhando de forma totalmente diferente, já que na ocasião eu sabia mais ou menos o que esperar dos filmes, e, agora, apesar de se tratar do passado de alguns personagens que já conhecemos e tanto amamos, praticamente tudo é novo.

Só sei que a fã dentro de mim está gritando para conhecer logo a resposta para todos esses novos mistérios.

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