Aniquilação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quatro pesquisadoras – uma bióloga, uma antropóloga, uma topógrafa, e uma psicóloga (a líder do grupo) são designadas para explorar a misteriosa Área X. Uma região dos Estados Unidos transformada misteriosamente e abandonada, e na qual acontecem fenômenos estranhos. Não sabemos os nomes delas – são descritas o tempo todo pela função. O marido da bióloga fez parte de uma das 11 expedições anteriores – todas as quais terminaram mal. Dizer mais seria estragar as revelações e mistérios, até porque os acontecimentos são secundários.  A própria noção do que é real é altamente questionável. O que importa é o clima sufocante, a certeza de que algo terrível está sempre prestes a acontecer. A narrativa de VanderMeer é muito visual. Sempre parece haver algo no canto dos olhos, mas quando você se vira não está mais lá. E pior, muitas vezes você prefere não se virar, apertar o passo e continuar andando pra frente sem olhar pra trás, porque sabe que vai ver algo aterrador.

Aniquilação ganhou o prêmio Nebula, dado todos os anos pela Associação Americana dos Escritores de Ficção Científica e Fantasia (SFWA). É o primeiro volume da Trilogia Comando Sul. Os outros dois volumes – AutoridadeAceitação – completam a sequência, mas com pontos de vista narrativos diferentes. Não esperem uma solução bonitinha e amarrada. O autor deixa muita coisa vaga, e faz o leitor trabalhar para interpretar o que está acontecendo.

Jeff VanderMeer é uma das principais vozes do New Weird, um movimento híbrido de ficção científica, fantasia e horror, com muitas doses de surrealismo e experimentalismo, que surgiu no fim dos anos 1990. Editou, junto com a mulher Ann, uma antologia que define o gênero, com autores como China Miéville, Steph Swainston, M. John Harrison, Michael Moorcock, e grande companhia. O casal tem até credenciais como historiadores do gênero, com outros dois compêndios essenciais, The Weird The Big Book of Science Fiction, que reúnem contos fundamentais do gênero fantástico.

O que VanderMeer nos apresenta é um ecossistema em transição, mas não sabemos a causa – não é necessariamente uma transformação provocada pela humanidade como o aquecimento global. É o mistério que as cientistas tentam solucionar. Mas elas enfrentam os próprios conceitos e estados psicológicos nessa investigação. Numa entrevista, Jeff VanderMeer disse que a ciência precisa da filosofia porque a ciência por si só não é objetiva, nossas descobertas são sempre filtradas através das nossas mentes. Em alguns momentos parece haver um propósito, um método, uma finalidade nessa transformação. Em outros, parece que é o caos, a entropia, o mundo se desfazendo, a natureza absorvendo e digerindo a civilização. As mensagens que as cientistas encontram, que sentido têm? Foram deixadas por alguém, ou apenas captadas, embaralhadas e regurgitadas pelo que quer que esteja agindo na Área X? Será uma nova bio-linguagem?

Logo as cientistas percebem que estão sofrendo transformações também, mas não sabem de que forma, se há algum propósito, se é algum tipo de exposição à radiação, ou um fungo (VanderMeer adora fungos)… Elas estão sendo desconstruídas e reconstruídas, mentalmente e biologicamente, e não saber o rumo é o pior tipo de terror. Morrer simplesmente é cruel, assustador; mas perder o controle da existência e dos processos mentais sem saber como vai terminar é pior.

Os dois volumes seguintes, ambos maiores que Aniquilação, trazem novas pistas, algumas soluções, mas também mais e mais perguntas.

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