Aquaman

Ano passado foi quando voltamos a ter alguma fé no universo cinematográfico da DC, com o filme da Mulher-Maravilha que conseguiu se sobressair como um bom filme. Finalmente eles aprenderam a contar uma história. Talvez todas as reclamações em relação aos filmes anteriores, com críticas duras, devem ter surtido efeito. Não confiar mais cegamente em Zack Snyder também ajudou muito, surgindo um filme sobre a Liga da Justiça, que ainda não era perfeito, mas divertia.

No filme da Liga da Justiça, o Aquaman é melhor desenvolvido, depois de uma rápida aparição e Batman V Superman, sempre muito bem personificado pelo ator Jason Momoa. Ali já dava para perceber que aquele seria um personagem mais leve, com um tom cômico, que lembrava o que fizeram com Thor na Marvel – é impossível não comparar os dois universos. Então aconteceu, o filme solo do Aquaman está aqui. Depois de Mulher-Maravilha era de se esperar um filme pelo menos coeso, como foi o da Liga Justiça. Pois é, pense de novo.

Aquaman (EUA, 2018) é uma enorme confusão cinematográfica que não decide pra onde vai. Tudo acontece ao mesmo tempo com tantos personagens, que no meio do filme, quando Aquaman e Mera (Amber Heard) estão no meio do deserto do Saara, você se pergunta o que está acontecendo. Vamos voltar um pouco e falar sobre a história que o filme quer te contar. Tudo começa com Thomas Curry (Temuera Morrison) encontrando a Rainha Atlanna (Nicole Kidman) desacordada na praia perto do seu farol, numa praia no Maine. Ele a ajuda a se recuperar, acabam se apaixonando e eles têm um filho, Arthur Curry. Porém a Rainha Atlanna tem que voltar para Atlântida para poupar Thomas e seu filho. Anos depois, Arthur ajuda a resgatar um submarino nuclear russo que foi sequestrado por piratas. Ao mesmo tempo, o Rei Orm (Patrick Wilson), irmão mais novo de Arthur, quer unir todos os reinos das profundezas para entrar em guerra com a superfície. Arthur precisa assumir o trono para evitar uma guerra de proporções catastrófica.

O plot central do filme parece simples, o problema é que acontecem três histórias ao mesmo tempo, a de Arthur Curry, tentando salvar a superfície e se descobrindo como Rei de Atlanta; a do Rei Orm que quer todo o poder das profundezas para si e governar sozinho os Sete Mares; além de todo o drama de David Kane (Yahya Abdul-Mateen II), pirata tecnológico que tentou sequestrar o submarino nuclear e perdeu o pai durante a luta contra Aquaman. David agora busca vingança.

James Wan é o diretor responsável por Aquaman, uma escolha surpreendente já que Wan é famoso por dirigir e trabalhar basicamente com filmes de terror. O roteiro é assinado por David Leslie Johnson-McGoldrick e Will Beall, que trabalharam com um argumento do próprio Beall e James Wan. O que se nota no filme é a dificuldade de manter o senso de humor, como se eles nunca tivessem contado uma piada antes e do nada precisam criar esse filme em cima de um personagem bonachão, sarcástico e com um senso de humor ácido, tarefa bem difícil. O que aconteceu é que o filme tem piadas fracas que se contrapõem a momentos dramáticos, criando uma confusão um pouco menos pior do que Batman V Superman.

Talvez a crise da DC e o afastamento de Zack Snyder, possam ter interferido na realização desse filme, que poderia ter sido pensado como uma trilogia, mas acabou condensando tudo em uma única produção. Então temos O Rei Orm em sua busca por poder, temos Arthur Curry viajando o mundo atrás do Tridente de Atlan para poder reclamar o trono e David Kane em sua busca por vingança. Em um momento o filme é embaixo d’agua, onde ninguém envelhece e tem um botox natural, com muito CGI, alta tecnologia e diálogos sofríveis entre Orm e o Rei Nereus (Dolph Ludgren), o pai de Mera. Então temos Arthur e Mera dentro de um aviãozinho, sobrevoando o Saara, em uma cena que poderia estar em um filme genérico do Indiana Jones, em busca das pistas deixadas sobre onde estaria o Tridente de Atlan. As cenas “engraçadinhas” são deixadas para Arthur e Mera, numa tentativa bem fraca de criar uma química entre eles que não existe. Sim, eles conseguem o impossível não criar química com Jason Momoa, vai entender. Apesar de Zack Snyder quase não se envolver mais com os filmes, as irritantes cenas de luta em câmera lenta estão por todo o filme. Alguém podia superar isso e criar um novo estilo de filmar as lutas da DC.

Apesar de confuso, com diálogos fracos, o filme tem alguns pontos positivos: todos os personagens estão bem representados, desde Nicole Kidman como Atlanna, passando por Willem Dafoe como Vulko, até mesmo Yahya Abdul-Mateen II como David Kane, apesar de parecer solto no filme. O único cast difícil de engolir é Patrick Wilson como irmão mais novo de Jason Momoa. Wilson é canastra na medida certa pra fazer um arqui-inimigo de um super-herói, mas não o irmão mais novo do Aquaman. A única explicação que tenho aqui é algum fetiche de James Wan por ele, que está em quase todos os filmes do diretor. Entendo que todo diretor tem sua estrela favorita, mas em Aquaman o cast foi bem forçado.

Claro que outro grande ponto positivo do filme é o Jason Momoa sem camisa, Jason Momoa sendo engraçado e seu claro comprometimento com o personagem. É animador perceber o quanto ele QUER ser Aquaman, a verdade é que estamos bem felizes com ele o sendo. Apesar das piadas não serem geniais, o filme ganha uma leveza e consegue pelo menos divertir. Ele acaba, você fica tentando entender o que aconteceu, mas não há ódio pelo filme, apenas confusão. Mesmo sem muita química entre Arthur e Mera, a cena do beijo deles é uma das cenas mais legais de beijo em filmes de super-heróis. Verdade que Jason Momoa ajuda muito ao estar presente na cena. Enfim, o que salva Aquaman é o Aquaman, Jason Momoa foi uma excelente escolha de cast, e ele parecer estar a vontade no papel, ajuda bastante. Ok, aparecer sem camisa também (só tô ainda tentando entender porque o Aquaman precisa usar sapato debaixo d’agua).

Aquaman não é tão horroroso quanto Esquadrão Suicida e nem chatíssimo como Batman V Superman, apesar de que a DC precisa fazer uma terapia pra resolver essa questão com mães. É divertido de certo modo, com um personagem que funciona, num filme que poderia ter sido infinitamente melhor. Já passou da hora da DC tirar a cabeça do próprio umbigo, olhar pro lado e prestar atenção nos filmes do concorrente. Enquanto a Marvel consegue fazer de Thor um personagem cômico, reconhecendo os erros dos dois primeiros filmes, a DC perdeu a chance em tornar Aquaman seu Thor e dar um filme bem melhor pra ele.

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