As mães na literatura

Já parou para pensar o quanto as mães são importantes nos livros que você já leu?

Todo dia das mães é a mesma coisa, aquela chuva de propaganda, promoção, vídeo, post, uma pá de coisas sobre o que dar para a sua mamãezinha neste dia tão especial. Uma coisa eu devo dizer, meio brincando, meio verdade: amiguinho, é a sua mãe. Você precisa mesmo de dicas de gente desconhecida sobre o que ela vai gostar de receber de presente? Pare e reflita um pouco.

Fim do momento crítica aos filhos no dia das mães.

Pensando nisso, esse ano resolvemos não nos submeter a essa lógica de “livros para presentear no dia das mães”, porque, afinal, eu acredito que não existe essa classe de “livros para as mães” (a não ser que você vá dar aqueles do tipo “o que esperar quando se está esperando”, e nesse caso é classe de livros para gestantes, não é mesmo?). Existem comédias, romances, livros de aventura, e todos eles podem ser o tipo da sua mãe. Você é quem deve identificar que gênero ela curte mais. Então, nesse dia das mães, resolvemos valorizá-las com este post sobre mães que são personagens literários significativos.

As mães são personagens tão fortes na nossa vida real, é claro que não poderiam deixar de ter um grande espaço em diversas tramas. Então todo o mundo literário é recheado de personagens que são mães e essenciais para o desenvolvimento dos livros, mesmo que muitas vezes nem sejam as protagonistas. Separamos aqui alguns livros mais significativos para a redação que são exemplo de mães de suma importância para suas narrativas:

Harry Potter

Impossível pensar em mães significativas em livros e não pensar no pequeno menino órfão Harry. Em toda a série fica muito claro que as mães exercem um papel muito especial na vida dos personagens e o desenrolar da história se dá por intermédio direto ou indireto delas. O eixo principal da narrativa parte das mães: Lílian, mãe do protagonista, morre por amor em sacrifício ao seu filho concedendo-lhe uma proteção mais forte do que qualquer magia. Já Mérope, mãe do antagonista, praticamente se deixa morrer, levada pela depressão e desilusão, colocando o amor a um homem acima do amor ao seu filho. Harry, órfão e maltratado pelos seus tios desde bebê, passa a vida se fortalecendo pela memória do amor de seus pais, especialmente sua mãe, mesmo que eles não estejam presentes fisicamente. Voldemort, tão órfão e tão maltratado quanto, por outro lado, passa a vida alimentando ódio, vingança, e enorme ambição. Todo o desenrolar da trama Harry Potter é uma metáfora sobre o poder transformador do amor na vida das pessoas, especialmente o de suas mães.

Lilian Potter, Mérope Gaunt, Molly Weasley, Narcisa Malfoy, Alice Longbottom, Rowena Ravenclaw, Kendra Dumbledore, Petúnia Dursley, e tantas outras presentes no universo HP são retrato de mães amorosas, mães inseguras, mães dominadoras, mães que mimam seus filhos, mães que morrem (ou matam) por seus filhos, mães REAIS. Mães que são parte integrante do desenrolar da história dos livros e, sem as quais, a trama nem ao menos existiria.

A viúva Clicquot
Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin era uma mulher de seu tempo era filha de um político francês, casou-se com um herdeiro, teve uma filha e, saindo do enredo, entrou para a história do Champanhe. Barbe-Nicole ficou viúva e se dedicou a produção de champanhe que herdou do marido. Sua dedicação e trabalho transformou um vinho espumante e adocicado em sinônimo de comemoração e seu nome sinônimo de status. Fez tudo para sustentar a filha e seguir independente. É uma dessas mulheres que fugiram ao roteiro que lhe era destinado na história e mais do que sustentou sua filha, deixou um legado para a família e um sobrenome que se mistura com o champanhe que produz: Veuve Clicquot.

As Crônicas de Gelo e Fogo

Em toda a série Crônicas de Gelo e Fogo as mulheres têm papéis extremamente importantes. São guerreiras, articuladoras, heroínas, mães. Mães de dragões, mães super protetoras, mães obcecadas, mães que morrem, mães que matam, mães que começam guerras por seus filhos, que movem céus e terras por todos os sete reinos para cuidar de seus pequenos. Para quem conhece a série não é preciso nem dizer muito. Basta saber que ai de quem mexer com as crias das mulheres de Westeros.

Uma praça em Antuerpia
Um romance sobre a fuga da guerra, sobre como uma mãe é capaz de tudo para salvar os seus. É a história de Cecilia que fugindo da Europa para o Brasil se vê em uma situação impossível envolvendo a irmã gêmea e seu primogênito (não quero contar spoilers). Cecilia luta até o final por seu filho, por seus filhos, na verdade, é um retrato do desespero dos refugiados, da longa marcha para se salvar da morte e como família, irmãos e mães conseguem o impossível para sobreviver.

Precisamos falar sobre o Kevin

Precisamos falar sobre filhos problemáticos. Precisamos falar sobre a ilusão de que a maternidade é uma maravilha. Precisamos falar sobre mulheres que não nasceram para ser mães, que não querem ter filhos. Precisamos falar sobre mães que precisam de ajuda. Precisamos falar sobre a sobrecarga que é criar um filho para a mulher. Precisamos falar sobre o papel do homem e da mulher na educação dos pequenos (os papéis não deveriam ser o mesmos?). Precisamos falar sobre atenção, sobre amor, sobre cuidado, mas também sobre limites, sobre castigos, sobre admitir que existe um problema. Precisamos falar sobre os Kevins, mas especialmente precisamos falar sobre as Evas. As mulheres que abrem mão de suas próprias vidas para cuidar de seus filhos e muitas vezes não encontram apoio, reconhecimento, compreensão e até amor, mesmo quando passam e enfrentam os mais diversos problemas. Sobre como as mães podem estar ao lado de seus filhos até o fim, mas como também passam por medos, inseguranças e problemas dos mais diversos. Sobre como ter um filho pode acabar dando muito, muito errado. Será que você, como mãe, se arrependeria?

 

O Quarto

Ma é uma mãe que se dedica a criar Jack em um espaço de 10m² fazendo tudo que pode para que o menino seja feliz e nem ao menos perceba que os dois são reféns e estão presos em um quarto. O Quarto é sobre até onde essa mãe é capaz de resistir e lutar pela felicidade e sanidade de seu filho, sobre o poder familiar, sobre uma mãe que usa de todos os artifícios ao seu alcance pelo bem-estar de seu menino. É um livro todo estruturado na relação entre os dois e sobre o significado desse amor.

A Culpa é das Estrelas

E se você tivesse um filho, fosse feliz, tudo perfeito. E daí pá. Seu filho é diagnosticado com câncer. É bem possível que ele morra em breve. O que você faria? Colocaria o pequeno em uma bolha? Guardaria-o para si? Parece tentador não deixá-lo viver nada perigoso, não permitir que ele se afaste de você, querer que ele esteja grudadinho com você o tempo todo, até o último momento. Não é natural uma mãe ver seu filho morrer. Não é a ordem das coisas. Ninguém culparia uma mãe que, vendo a filha definhar de câncer, quisesse trancá-la numa cúpula até os últimos segundos. Mas não é o que faz Frannie Lancaster, mãe de Hazel Grace. Ela está do lado da filha todo o tempo, dedicada ao seu tratamento, faz de um tudo para que ela tenha chances de sobreviver. Mas também é ela quem faz com que a filha saia, que a incentiva a participar de um grupo de apoio, a passear, a namorar, a viver enquanto há vida. É graças a sua mãe que Hazel conhece Augustus e que sua vida se torna mais alegre e significativa.

Coraline

Que criança nunca esbravejou, irritada pelo motivo mais frívolo possível, “eu queria ter outra mãe!”? É muito natural que os filhos se irritem com os pais e Coraline, de mudança para para um lugar novo, e sem receber muita atenção de sua mãe e seu pai, também tem esse desejo. Explorando a casa, se depara com uma Outra Mãe, muito mais divertida e atenciosa, e tem a oportunidade de mudar de vida. Você, enquanto criança, será que aceitaria? E se não aceitasse e descobrisse que seus pais verdadeiros foram sequestrados? O que você faria por aquela mãe da qual você reclamava tanto, mas que agora se vê sem? Coraline é uma linda metáfora sobre os conflitos da infância e de como vivemos reclamando de nossas mães, mas não a trocaríamos por nenhuma outra no mundo.

 

Existem muitos e muitos outros livros em que as mães são essenciais para as tramas, tal qual em nossas vidas realmente. Esses que separamos aqui são apenas alguns exemplos de como as mães são muito, muito diferentes, e como são muito complexas para caberem em um rótulo. Nesse dia das mães, nós do Cheiro de Livro desejamos muita felicidade para essas mulheres tão absolutamente diferentes, e desejamos respeito e amor a todas, de acordo com suas particularidades. Lembre-se, antes de ser mãe ela é uma pessoa, com desejos, inseguranças, sonhos e medos, como qualquer um. Valorize sua mamãe. Vai lá, aproveite a simples existência dela. Ela provavelmente tem um papel chave na trama da sua vida.

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