Brasil, uma distopia

Em “Brazil, O Filme”, de 1985, dirigido por Terry Gilliam, Brasil é um lugar lúdico na mente do personagem principal. Uma fuga em forma de sonho de um mundo controlado pelo autoritarismo, burocracia e muita vigilância. Tudo isso numa distopia em um futuro próximo.

Em 1985, Brasil, o país, elegia um presidente pelo voto indireto, marcando o fim do Regime Militar. Teve gente que ficou esperançosa e a frase que mais ouvi minha vida inteira foi: “O Brasil é o país do futuro, tudo vai melhorar”. Chegamos a 2018, o que eu chamaria de futuro lá em 1985, e nada mudou.

Quarta-feira, 14 de março de 2018, Marielle Franco foi assassinada. Uma mulher negra, vinda da favela da Maré, que se formou em Sociologia, batalhou e conseguiu chegar à Câmara dos Vereadores pelo voto popular com mais de 45 mil votos. Em fevereiro, o governo federal decidiu que o Rio de Janeiro precisava de uma intervenção militar para combater a violência na cidade. Uma decisão que foi questionada por muitos, inclusive pela própria vereadora que se tornou relatora da Comissão para acompanhar a intervenção em 28 de fevereiro. Em 10 de março, ela fez uma denúncia, em suas redes sociais, contra o Batalhão da Polícia de Acari, considerado o que mais mata no Rio, quatro dias depois ela estava morta.

Tem gente que acha que Marielle se tornou mais uma vítima da estatística de violência do Rio, mas a verdade é que a vereadora entrou de uma forma muito triste para a nova História que o nosso país está contando. Uma história assustadora, quase uma distopia, onde nossa democracia a cada dia é mais ameaçada.

Lá em 2016, quando a Presidente Dilma Rousseff sofreu o impeachment, começava essa história sombria. Entre denúncias sérias de corrupção contra o atual presidente Michel Temer e outros políticos aliados a ele que permanecem em seus cargos, decisões parlamentares que beneficiam grandes empresários, levando o país a retornar a linha da miséria, há o povo dividido. Há uma guerra barulhenta, feia entre aqueles que acreditam nesse governo maculado e os que não aceitam essa sujeira.

Ao mesmo tempo devemos, pelo voto popular, através da democracia, escolher o próximo presidente do Brasil, ainda esse ano. Porém, cada vez mais essa democracia parece escorrer das nossas mãos, principalmente depois de ver uma das pessoas que mais lutou por ela, ser executada. Sim, não há provas. Não, não podemos AINDA chamar de execução, mas para mim está muito claro que Marielle foi executada. E agora o governo federal quer usar sua morte como justificativa para continuar a intervenção no estado, a mesma que ela era contra.

O Brasil, país do futuro, cada vez mais se assemelha a feia realidade do filme “Brazil”, um Estado burocrático, corrupto, manipulador. Com uma maioria que não enxerga a manipulação e que se deixa seduzir por ideais radicais contra as minorias. O nosso futuro imediato não parece promissor. O que me dá esperança é que em toda distopia existem heróis como Marielle, pessoas que não aceitam o sistema opressor, que decidem lutar para derrubar o governo corrupto e construir um mundo melhor. Que a luta de Marielle seja a nossa, que sua voz ganhe força e nos transforme nos heróis que vão destruir essa distopia e, então sim, construir um Brasil melhor.

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