Carmen – uma biografia

Carmen Miranda é dessas figuras que sempre me intrigaram e de quem eu conhecia muito pouco, quando vi, em 2005, que o Ruy Castro tinha escrito uma biografia dela corri para a livraria e devorei a leitura de mais de 500 páginas em pouco dias. Carmen é um personagem fascinante e sendo contada pelas mãos de Castro fica irresistível para alguém como eu que adora ler sobre grandes personagens da nossa música.

Todo mundo tem na cabeça uma imagem de Carmen Miranda e essa imagem sempre envolve uma mulher com um chapéu cheio de frutas que revira os olhos quando canta. É imagem que foi projetada dela pelo mundo e que acabou sendo a única que temos dela. Carmen é muito mais do que isso, antes de estrelar filmes em Hollywood era uma estrela do rádio, dos cassinos e dos filmes nacionais.  A “pequena notável” já era grande quando chegou aos EUA e já tinha todo o visual que a consagraria mundialmente.

Carmen cresceu na Lapa no Rio de Janeiro em um momento em que a Lapa começava a ser a Lapa, ou seja, um bairro boêmio repleto de artistas e malandros. A portuguesa que chegou no Rio de Janeiro ainda bebe se criou ali, começou a trabalhar em uma chapelaria e, junto com a irmã Aurora, ingressou no rádio para se lançar ao estrelato. Pela escrita de Castro que entende que Carmen criou uma forma brasileira de cantar, que ela foi a primeira estrela da musica brasileira, mais do que isso foi a rainha das marchinhas, muitas delas estão aí até hoje sendo cantadas em blocos de carnaval pelo país.

Castro reconstrói no livro o Rio de Janeiro no começo do século XX e é povoado por personagens tão icônicos quanto Carmen que fizeram a era de ouro do rádio e as chanchadas da Atlântida. Temos Dorival Caymmi, Dalva de Oliveira e tantos outros. Volta e meia queria parar a leitura para colocar as músicas citadas no livro, queria ouvir Carmen cantando “Taí”,  “Eu Dei” e uma enorme quantidade de músicas que foram sucesso em sua voz.

Tenho que admitir que quando Carmen começa a fazer sucesso nos EUA, com seus sapatos plataforma, sua criação, e os chapéus de fruta, que ela já usava aqui, começou a me dar uma dor no coração porque já sabia que ela o auge antes do fim. Não sem antes protagonizar um dos mitos que a cercam. Conta a lenda que Carmen foi vaiada no cassino da Urca quando voltou dos EUA e fez uma apresentação, no livro Castro afirma que a famosa vaia não existiu, o que ocorreu foi total frieza da elite getulista, muitos alinhados com o nazismo e fascismo, a ver a estrela nacional falando inglês com a plateia. O mais importante é que na segunda apresentação Carmen estava munida de uma resposta musical e uma das minhas musicas favoritas do seu repertório: “Disseram que voltei americanizada”. Já nessa época o brasileiro tinha birra com quem faz sucesso no exterior é recebido com desconfiança e uma certa inveja por aqui.

Carmen, com uma ajuda bem grande do marido, se afundou na bebida e nos estimulantes para aguentar a rotina de trabalho e a mistura acabou lhe tirando a vida nos EUA. Seu cortejo parou o Rio de Janeiro, as fotos são impressionantes, e ela se eternizou como um símbolo nacional. “the lady in the Tutti Frutti Hat” está eternamente associada a nós e nós falamos tão pouco sobre ela e sua importância.

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