Carta de amor aos mortos

Confira a resenha do livro e um pouco do que rolou no bate papo com Ava Dellaira na Bienal

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A ideia veio depois da perda inesperada da mãe e depois que o autor de “As Vantagens de Ser Invisível”, Stephen Chbosky, ter dito a Ava Dellaira que ela deveria escrever um livro. Assim nasceu “Cartas de Amor aos Mortos”, que narra em cartas para Kurt Cobain, Judy Garland, River Phoenix, Amelia Earhart e Amy Whinehouse a história de Laurel, uma jovem que perdeu a irmã – May – e com ela sua própria identidade.

Esse post vai mesclar minha opinião sobre o livro e o que conversei com Ava durante a Bienal. Conversamos um pouco antes do painel dela (do qual fui mediadora) e foi incrível conhecer a autora por trás de uma obra que me marcou tanto.

Quando li “Cartas de Amor aos Mortos” pela primeira vez, apenas gostei. Achei muito bem escrito, interessante e de quebrar o coração, mas ok. Quando fui chamada para fazer o painel, reli o livro e NOSSA! Acho que realmente entendi a bigorna que foi jogada em cima de mim só da segunda vez que li. Marquei o livro todo e queria escrever ensaios e ficar horas conversando com Ava sobre o livro! Ele tem tantos sentimentos nas linhas e nas entrelinhas que é fascinante de ler.

Ao longo do livro, Laurel nos conta que mudou de escola para evitar que pessoas tocassem no assunto do falecimento de sua irmã. Basicamente, ela não queria que sentissem pena dela e que a sombra da morte trágica de May assombrasse seus próximos passos. Mas o problema é que a própria Laurel não consegue deixar May “seguir em frente” não somente porque morre de saudades da irmã, mas porque não sabe quem é sem ela. Normal a irmã mais jovem se espelhar na mais velha e ainda mais normal sentir essa ausência já que seus pais são separados, você passa metade da sua vida com sua tia e a outra com seu pai e nenhum deles sabe exatamente como lidar com você – embora ambos te amem muito.

May era o espírito livre e que, ao decorrer do livro, descobrimos que também sofria muito e que tinha suas lutas internas. Laurel também tem muitos segredos e cicatrizes internas assim como Hanna e Nathalie (suas novas amigas) e Sky, o gatinho que tomou seu coração. E rola um plot twist super tenso no meio disso tudo, mas que não quero nem mencionar para não estragar.

Em suma, “Cartas de Amor aos Mortos” narra de forma extremamente tocante, real e original a dor de quem fica depois que alguém querido se vai, a dor de uma “sobrevivente” e mostra, ainda, como ídolos ajudam a dar sentido, a colocar a nossa vida em perspectiva novamente.

O tema do painel com Ava Dellaira era “Cartas e segredos: a identificação com os ídolos na adolescência”. Um erro é que não é somente na adolescência que rola essa identificação, mas sim quando ela geralmente começa. Quando explorei o assunto com Ava, usei citações que ela escreveu no livro sobre Amy e Kurt, sobre como eles não tinham a pretensão de ser idolatrados por milhões. Eles só queriam cantar. E disse a Ava que isso também ocorria com autores, pois muitas vezes é por meio das palavras, histórias e personagens de outros que nós, leitores, encontramos forças para seguir em frente, para sermos corajosos. E que isso é uma grande responsabilidade. Aí perguntei como ela lidava com o fato de que o trabalho dela era agora o apoio de tanta gente.

E ela se emocionou e chorou. Aqui tem uma parte desse momento.

“Enquanto escrevia, sonhava que o meu livro ajudasse alguém um dia. Então estar aqui, com vocês, é realmente um sonho realizado”, revelou a autora.

E aí eu pedi para que todos que tivessem sua vida tocada pelo livro “Cartas de Amor aos Mortos” que levantassem a mão. E praticamente todo mundo – cerca de 600 pessoas – ergueu o braço. E Ava sorriu mais largo e mais algumas lágrimas escaparam.

Esse é o poder da escrita. Esse é o poder do fã: de cicatrizar feridas com a arte alheia. E isso é muito lindo e necessário.

Então leiam “Cartas de Amor aos Mortos” sem pressa e reflitam. Bons livros deixam cicatrizes que nos tornam sempre mais fortes.

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Um pensamento em “Carta de amor aos mortos”

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