A Casa das Sete Mulheres

Não faço parte das pessoas que assistiram a minissérie da TV Globo (melhor avisar logo), ouvi falar de “A Casa das Sete Mulheres” assim que ele foi lançado lá em 2002 dentro de uma livraria (conversar com livreiros é a melhor coisa para descobrir bons livros) e ele entrou na listinha de livros para prestar atenção e ler no futuro. A obra de Letícia Wierzchowski virou sucesso na TV, eu assisti uma palestra ótima dela em uma Bienal e o livro continuava lá na listinha, depois na pilha de livros e assim se passaram 15 anos onde eu sempre ouvia pessoas me indicando essa leitura. Com uma década e meia de atraso finalmente me dediquei as pouco mais 400 páginas e fico me perguntando: porque demorei tanto tempo?

O romance histórico conta a vida das mulheres da família de Bento Gonçalves, as sete mulheres do título, que ficaram em uma estância durante os anos da Revolução Farroupilha. Ver a guerra pelo ângulo de quem espera, de quem reza e aguarda notícias é sempre uma experiência. Passamos a vida vendo os campos de batalha pela ótica de quem luta, das trincheiras, enfim, pelo olhar masculino. Leticia opta por nos mostrar a guerra pelos olhos das mulheres, aquelas que não iam para a frente de batalha mas sofriam cada momento do confronto com a angustia de quem nada sabe e que apenas torce pelos que lutam.

Os dez anos da Revolução Farroupilha são divididos em dez capítulos que se sucedem mostrando as angustias e a força dessas sete mulheres, as moças fúteis da cidade que crescem ao longo da guerra, as esposas que aguardam a volta de seus maridos, as sabedoria da que já perderam seus amados e sabem o quanto tudo aquilo marcará a vida. É uma narrativa envolvente, dessas que faz você torcer pelas personagens, torcer pelos seus amados, até torcer por desfechos diferentes em fatos históricos (quem nunca, não é mesmo).

No meio desse universo tão feminino, de amizade, solidariedade tem até o Giusepe Garibaldi (que mesmo eu não tendo visto a adaptação para a TV passei a imaginar com a cara do Thiago Lacerda). A história dele com Manuela é um dos hits do livro, todo mundo que lê fala deles. Para mim o livro é mais do que isso e me encantou bem mais pelo todo das mulheres do que por uma história especifica.

Caetana, Ana, Rosario, Perpétua, Mariana, Manuela e Maria nos acompanham por dez anos e mais de 400 págianas em uma viagem pela história menos explorada da Revolução Farroupilha ou de qualquer revolução ou guerra: as mulheres. É uma leitura que recomendo.

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