Cemitério Maldito (filme – 1989)

Desde que lançou Carrie, Stephen King tem visto seus livros virarem filmes. Algumas adaptações são inesquecíveis, dirigidas por grandes diretores como Brian De Palma, George Romero, David Cronenberg, John Carpenter e até Stanley Kubrick, que gerou a briga mais famosa entre um escritor e um diretor. Alguns livros não tiveram a mesma sorte e ganharam adaptações fracas, o que, nos anos 1980, passou a significar que um livro do King adaptado para o cinema não seria exatamente um bom filme.

Em 1989 a diretora Mary Lambert, dirigiria seu primeiro longa metragem e tinha em suas mãos uma tarefa bem complicada, levar para as telas o livro mais controverso, até então, de Stephen King. Um livro que ele havia se arrependido de ter escrito, de tão sombrio que era. Bom, parece que esse arrependimento passou rápido, porque King assinou o roteiro, enxugando muito bem seu livro, fez uma ponta no filme e ainda colaborou na produção, trabalhando ao lado de Lambert.

Cemitério Maldito (Pet Sematary, EUA, 1989), conta a história de Louis Creed (Dale Midkiff), um jovem médico de Chicago que arranja um emprego em Ludlow, no campus da Universidade do Maine. Uma cidade pequena. Louis, sua esposa Rachel (Denise Crosby), sua filha Ellie (Blaze Berdhal) e seu filho Gage (Miko Hughes), de apenas dois anos. Em frente a nova casa passa uma estrada que serve de passagem para caminhões enormes. Atrás da casa há uma trilha que leva ao cemitério de bichos, a maioria morto pela estrada. Ellie tem seis anos e um gato chamado Church. Ao saber da existência do cemitério de bichos atrás de sua casa, Ellie também passa a tomar consciência de que seu gato, tão querido, não é imortal. E pior, que ele poderá morrer mais rápido se ficar solto perto da estrada. Do outro lado da estrada, em frente à casa de Louis, mora Jud Crandall (Fred Gwynne), que logo se afeiçoa de Louis e toda a família e torna-se um amigo. Quando chega o Dia de Ação de Graças, Louis fica sozinho com Church em casa e o pior acontece, o gato é atropelado. Jud acaba mostrando a Louis que há um cemitério indígena além do cemitério de bichos, construído há muitos anos pelos índios Micmac. Jud faz Louis enterrar o gato lá e os dois voltam pra casa. No dia seguinte, Church está de volta. Louis deixa de pensar no misterioso cemitério dos Micmacs, até que uma tragédia acontece.

O filme não se aprofunda tanto nas questões sobre a morte e o luto quanto o livro. Porém consegue transmitir muito bem todo o clima do livro para a tela. O roteiro foge muito pouco do texto original e corta alguns personagens para poder funcionar melhor em 1 hora e quarenta de filme. A cena de abertura, com a câmera passeando entre os túmulos, é ao mesmo tempo macabra e lúdica, porque aquele é um cemitério construído por crianças como uma forma delas entenderem e aprenderem a lidar com a morte. Ao mesmo tempo que a voz das crianças cantando de fundo vão se fundindo com os sons do filme até serem cortadas por um caminhão passando em alta velocidade, como um aviso sobre o que vai acontecer. Assim como a cena mais impactante do filme, a que menos queremos ver, é a cena mais bem orquestrada por Mary Lambert. Ela causa o impacto necessário, é a única cena em que há música, alta e alegre, para criar o contraste perfeito com o que vai acontecer. Nada é mostrado, mas o impacto funciona muito bem. Esse é um filme já realizado no final dos anos 1980, mas ele flerta com o cinema de terror dos anos 1960, principalmente nas cenas de flashback. Lambert usa alguns sustos óbvios para deixar o público esperto, e funciona, resultando em um filme de terror clássico dentro de sua estrutura e forma de contar história.

O uso de bonecos, maquetes, maquiagem, muito sangue artificial e exageros que não se tornam de mau gosto, deixa uma pequena saudade de como os filmes de terror eram feitos na década de 1980. Além de todo o cenário também ganhar vida e contar detalhes que dão dicas do que está acontecendo. O sobrenatural paira durante todo o filme como se fizesse parte do cotidiano das pessoas daquela cidade, para no momento certo destruir a razão e transformar tudo em caos, como toda boa história de terror deve ser.

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