Chicólatra assumida

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Não sei bem como começou a minha chicolatria, pode ter sido porque ele compôs uma musica com o meu nome (Carolina), pode ser porque minha mãe ouvia suas musicas, pode ser porque tinha amigos que gostavam dele, acho que deve ser uma combinação de tudo isso. Só sei de verdade é que ouço e adoro musicas do Chico Buarque desde que me entendo por gente. Sou daquelas que tem todos as obras em CD e em vinil, tenho até os compactos.

Não sou muito de poesia mas a do Chico sempre me chamou a atenção. Construções como “Se na bagunça do teu coração/ Meu sangue errou de veias de perdeu” (Eu te Amo) ou letras inteiras com a de “Agora falando sério” me conquistaram no ato. Suas letras, sejam as famosas de protesto ou as de amor, sempre estiveram entre as minhas preferidas. Uma vez, ainda na adolescência, fui fazer uma coletânea com as musicas que mais gostava dele e acabei gravando cinco CDs com as musicas gravadas em ordem cronológica, era uma época pré Ipods e afins.

Foi nessa época que assisti pela primeira vez um show dele, Canecão turnê de “ParaTodos”, assisti na arquibancada e sabia todas as músicas, foi meio mágico e iniciou o meu período mais Chicólatra de todos. Poucos dias depois peguei na estante “Estorvo” para ler. Que tortura, me arrastei pelas páginas e acabei o livro achando o título ótimo, é um estorvo mesmo lê-lo. Voltei as músicas, minha coletânea tocava sem parar no meu discman.

Os anos passaram e veio “Benjamin”, uma leitura bem melhor, não foi um livro que tenha adorado, mas pelo menos dessa vez não tive vontade de arremessá-lo na parede. Depois veio “Budapeste”, esse sim uma leitura ótima, daquelas que recomendo. No meio do caminho entre esse romance e “Leite derramado” assisti ou li as peças de teatro, tenho predileção por “Roda Viva” que ele não gosta e não deixa encenar, gosto mais das musicas de “Calabar” do que da peça e assisti uma montagem maravilhosa de “Gota D’água” e uma famosa de “Ópera do Malandro”. “Leite Derramado” é ok, legal, nada demais, pra mim Chico na prosa é um aquém dele na poesia.

Nos últimos tempos ele andou falando um monte de bobagens sobre biografias, ele é contra a publicação das mesmas, discordo dele totalmente. Adoro uma biografia, temos até lista delas aqui no site, e o que ele defende é totalmente contrario a tudo que cantou nos anos negros da ditadura. Incoerência é pouco.

Minha chicolatria diminuiu ao longo dos anos. Mesmo assim continuo comprando seus CDs, indo a seus shows e ouvindo muito a sua música. Nova peça de Charles Muller e Claudio Botelho com a obra de Chico, pode ter certeza que estarei na platéia (a peça é ótima, por sinal). “Arquivo N” sobre seus 70 anos, assistirei. Ele está escrevendo um novo livro e mesmo não sendo fã de sua prosa comprarei. O que posso fazer, uma vez chicólatra, sempre chicólatra.

 

Um pensamento em “Chicólatra assumida”

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