Children Act (A Balada de Adam Henry)

Ian McEwan é um desses escritores de que compro os livros de olhos fechados, mesmo os que não me agradam tanto são boas leituras. Quando vi que ele tinha lançado um novo livro coloquei na listinha de livros para comprar, não tinha a menor intenção de lê-lo em inglês, mas a Amazon ficou me tentando e acabei comprando. Um bom livro, o primeiro dele que li no original.

actFiona  é uma juíza da vara de família, entre divórcios complicados e a guarda de crianças ela se vê, volta e meia, em casos mais complexos que envolvem religião. Um desses casos, um adolescente com quase 18 anos, Testemunha de Jeová, que se recusa a receber uma transfusão de sangue durante um tratamento de leucemia. Sem a transfusão Adam não sobreviverá. Enquanto julga o caso Fiona tem que lidar com o marido que depois de 35 anos de casado anuncia pra ela que quer ter um caso.

Todo livro é contado no ritmo de pensamento de Fiona, racional e preciso no trabalho, nos julgamentos e confuso com relação ao marido. A sua inocência em relação ao seu casamento e a reação de seu marido me fez lembrar o casal de recém casados em “Na Praia”, incapazes de compreender um ao outro, pegos de surpresa pela situação. Aqui a inocência é só de Fiona, Jack, o marido, é pouco retratado, só pelos olhos da juíza. O fluxo de pensamento dela no inicio do livro é ótimo, mas lento, suas lembranças misturadas com a raiva, a decepção, e ao choque é ótima. Pensa como ficará sua vida social, como as pessoas olharão para ela ao saber sobre o caso, pensa em ligar para amigos mas desiste, é um momento no livro em que nada acontece e ao mesmo tempo é fascinante e bem estruturado.

O livro começa a andar quando começa o julgamento do caso de Adam Henry. Adoro um bom filme ou serie de tribunal e a audiência descrita por McEwan é tão boa quanto qualquer cena de julgamento. O médico que não consegue acreditar que os pais não deixam que seu filho seja tratado, um pouco impaciente com os questionamentos; o pai que fala da sua fé,  explica porque não permite a transfusão de sangue; a assistente social que fala sobre Adam. Tudo é bem construído e visto pelos olhos de Fiona.

A juíza acaba indo até o hospital conversar com Adam e esse encontro é determinante para o restante do livro. O adolescente é um personagem romântico, pronto para se tornar um mártir, adorando toda a atenção que o caso está tendo, toda a atenção voltada para ele. Se antes “Na Praia” era o livro que me vinha a cabeça, desse ponto em diante é “Amor Sem Fim” que surge como referência. Fiona decide o caso, sua decisão é clara e racional, assim como o caso dos gêmeos siameses que abre o livro e apresenta a personagem.

O último terço do livro é gasta pelos efeitos do caso na vida da juíza e a crise em seu casamento. É um bom texto, as referências musicais ficam mais extensas e Fiona mostra toda a sua fragilidade. Não é um dos melhores romances de McEwan, mas é um que levanta boas e importantes questões.

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