Christopher Tolkien, 1924-2020

Era uma vez um menino que cresceu ouvindo as histórias que o pai contava. Histórias de elfos, magos, dragões, anéis mágicos – e uns certos pequenos seres curiosos, de pés grandes, que viviam em tocas no chão. As histórias foram crescendo, e o menino com elas. Christopher seguiu os passos do pai e logo se tornou não só fiel escudeiro, mas colaborador.

Depois de servir de audiência enquanto o pai, John Ronald Reuel, escrevia O Hobbit, Christopher acompanhou a longa gestação de O Senhor dos Anéis. Foi Christopher quem desenhou os mapas que acompanham a obra, expandindo o mundo criado pelo pai.

Depois da morte de J. R. R., Christopher se debruçou sobre os volumes de manuscritos deixados pelo pai e que desenvolviam as lendas do universo de Tolkien. Desses manuscritos, extraiu primeiramente O Silmarillion em 1977, traçando as origens desse universo e de sua mitologia. Depois seguiram-se volumes com Histórias Inacabadas (1980), uma história em 12 volumes traçando a evolução de O Senhor dos Anéis (1982 a 1996) até os recentes Beren e Lúthien (2017) e A Queda de Gondolin (2018). 

Christopher era crítico feroz dos filmes de Peter Jackson, que para ele vulgarizaram a obra do pai, transformando-a em “filmes de ação para jovens”. Também fez questão de se distanciar do filme-biografia lançado ano passado.

Se hoje temos um universo tão rico e detalhado como o da Terra Média, devemos muito disso a Christopher. Se J. R. R. foi a força criadora, foi o filho quem preservou esse legado, permitindo que conheçamos um pouco do processo criativo de um gigante da literatura do Século XX.

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