Cidades de Papel (O filme)

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Nos anos 1980 aconteceu um boom de filmes sobre adolescentes, que fugiam do estilo pastelão quase pornochanchada, e começava a era dos filmes que discutiam tudo o que cercava a adolescência: escola, pais, amigos e, principalmente, amor. O grande responsável por essa mudança foi o diretor John Hughes, que criou obras inesquecíveis como Gatinhas e Gatões (1984), Clube dos Cinco (1985), Curtindo a Vida Adoidado (1986) e A Garota de Rosa-Shocking (1986). Hughes com certeza influenciou uma geração, entre eles, sem dúvida nenhuma, o escritor John Green, que “cresceu” e passou a criar histórias que falam diretamente com o público adolescente.

Com certeza o diretor Jake Schreier bebeu na mesma fonte porque sua visão para Cidades de Papel (Paper Towns, EUA, 2015) lembra, em muitos momentos, os trabalhos de John Hughes, com cenas que nasceram para marcar essa nova geração, assim como Hughes  marcou a nossa. O livro de Green tem um tom melancólico, com personagens já saudosos do cotidiano, afinal eles estão no último ano da vida escolar. O personagem principal, Quentin (ou Q), vive uma vida tranquila, com pais compreensivos e com o olho no futuro. Mas Q tem uma queda por sua vizinha, Margo, que foi sua melhor amiga na infância até que acabaram se afastando. Ele se tornou o típico “nerd” e ela uma das meninas populares, clichê básico dos filmes adolescentes, mas que todo mundo sabe que acaba acontecendo na vida real. Um dia, Margo escala a janela de Q e o convence a sair com ela pela noite pregando peças em pessoas que a magoaram. Aquela se torna a melhor noite da vida do rapaz, que descobre no dia seguinte que a amiga foi embora de casa. Quentin passa a encontrar pistas sobre onde Margo pode estar e convence seus melhores amigos a ir atrás dela, resultando numa viagem inesquecível.

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O tom melancólico do livro de Green é suavizado pela lente de Schreier. Margo ainda é um sonho inalcançável de Q. A menina perfeita, linda e misteriosa, que ele acha conhecer muito bem. Cara Delevingne, a belíssima modelo inglesa, que provou também ter muito talento nesse filme, foi a escolha perfeita para ser a menina linda e inalcançável. Por outro lado, a escolha de Nat Wolff – que já havia trabalhado em “A Culpa é das Estrelas” – para viver o sonhador Quentin, também foi perfeita. Wolff tem um charme desajeitado que lembra em muitos momentos o ator John Cusack quando começou. Sua atuação como Q é tão natural que fica fácil confundir ator e personagem.

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Q vive cercado por dois amigos incríveis, Ben e Radar. Dois pontos convergentes de uma mesma força. Ben é o típico adolescente que só pensa em garotas, que leva a vida com muita leveza e que nunca perde uma piada. Radar é mais parecido com Q, porém leva as preocupações com o seu futuro muito mais a sério. Radar tem uma namorada, Angela, por isso se mostra mais maduro que os amigos. É gratificante ver personagens adolescentes com uma relação amorosa baseada em confiança e respeito. Radar tem suas dúvidas normais como todo adolescente, mas a forma como ele age em relação a elas, mostra o quanto os filmes adolescentes evoluíram. As meninas não são mais colocadas em pedestais como seres mágicos e frágeis, elas também participam das decisões. Se mostram humanas e fortes. Os momentos no carro com Q e seus amigos, deixa muito claro isso. Aliás, a viagem em busca de Margo é o ponto alto do filme, com diálogos e situações que deixam claro que aquele é um novo cult adolescente para as gerações atuais, que estão crescendo cheias de dúvidas, sonhos e que precisam se ver no cinema de forma mais natural e honesta.

Cidades de Papel é uma excelente adaptação da obra de John Green porque é fiel à essência do livro, o final pode ser diferente, mas o que importa é que ele passa a mesma mensagem, ninguém é exatamente como idealizamos e a vida é muito curta para se viver com total seriedade.

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