Cidades de papel

untitledUltimas semanas de aula, a menina mais popular no colégio bate na janela de Quentin e o recruta para uma noite de vingança, no dia seguinte ela desaparece. Essa é a trama inicial de “Cidades de Papel”,  mais um best seller de John Green sobre as agruras da adolescência. Aqui o tema é o final do colégio e a perspectiva de uma vida adulta no horizonte.

“Cidades de Papel”, como os demais livros de Green que já li, tem um elemento em comum: a morte. Não, eu não estou contando spoiler, juro. A morte pode ser apenas uma possibilidade nos livros dele, pode estar mais próxima por causa de uma doença como em  “A Culpa é das Estrelas”, ser mais real como em “Quem é você, Alasca?” ou como é aqui em “Cidades de Papel”, uma realidade que se mostra para o protagonista ao encontrar um corpo no parque. Essa insistência com a morte como ponto de partida para qualquer narrativa me irrita um pouco, é como se só a morte pudesse despertar  uma reflexão para a vida.

Quentin mora ao lado de Margo Roth Spielgman, sua amiga de infância, com quem encontrou um corpo em um parque aos dez anos e que reina na High School, a menina mais popular do colégio. Q., como é chamado, é apaixonado por Margo e por isso embarca em uma noite de aventuras onde ela tem um roteiro para se vingar de uma serie de pessoas, um plano com 12 etapas. Tudo se complica quando Margo desaparece no dia seguinte, é nesse momento que o livro começa a ficar interessante, a busca de Q. por Margo com a ajuda de Ben, Radar e Lacey. Por alguns capítulos, dentre os melhores do livro, a história torna-se uma caça ao tesouro, um desvendar de pistas, é um momento em que a amizade entre Ben, Radar e Q. é apresentada e consolidada, é quando o leitor passa a ver o trio como um grupo interdependente. Para aceitar a entrada de Lacey no grupo é um pulo.

Quando as pistas empacam o livro perde um pouco o ritmo, com Q. lendo o poema de Whitman e fazendo conjecturas sobre a vida. Esse aspecto mais filosófico do livro é outro motivo pelo qual não o considero uma leitura tão boa assim, as frases parecem profundas, mas não se sustentam a uma segunda lida, talvez minha rabugice seja por não ter a idade do publico alvo e já ter ultrapassado algumas das questões ali colocadas. Essa explicação de “sou velha” para justificar meu enfado com partes do livro é uma possibilidade forte, mas eu um dia fui adolescente e essas partes filosóficas deveriam, pelo menos, despertar um lado nostálgico da adolescente que fui, que podia não ler Whitman, mas tinha um queda grande por Fernando Pessoa.

O livro volta a melhorar quando torna-se uma road trip. É divertido e aventuresco como devem ser as viagens com amigos, cheio de momento inesquecíveis. Os capítulos contados pelas horas da viagem são ótimos, mostram o clima de camaradagem, aquela camaradagem que só se tem com amigos que cresceram com você, amigos que te conhecem há tanto tempo que não se imagina uma vida em que eles não estavam ali. O problema é  que essa viagem acaba em outro capitulo filosófico, paginas que vão explicar várias vezes o que são as Cidades de Papel, as pessoas de papel. O livro termina mais ou menos, é uma leitura só ok, nada mais do que isso. Poderia ser um grande livro sobre deixar a adolescência para trás e o medo de uma nova vida, a vida na faculdade, longe dos pais, a entrada no mundo adulto, mas é apenas um livros sobre amigos em uma caçada por uma colega desconhecida.

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