Cinema Pirata

Em um futuro onde a indústria do entretenimento controla as leis anti-pirataria um grupo de jovens luta por uma internet livre.

 

Cory Doctorow ganhou todo o meu coração com o ótimo “Pequeno Irmão”, não só porque é um ótimo livro, mas porque fala sobre tecnologia e todos os desafios que enfrentamos com as tentativas de governos e empresas do controle da internet. Se em “Pequeno Irmão” Doctorow falava sobre privacidade em “Cinema Pirata” o tema são os downloads ilegais e as inúmeras tentativas dos conglomerados de entretenimento de combater a pirataria.

Em um futuro não muito distante as leis de combate a pirataria todas foram aprovadas e uma família pode perder o acesso a internet por um ano se três infrações forem detectadas. Trent é um jovem de 16 anos fã do ator Seth Watson que adora fazer montagens. O livro começa com Trent fazendo sua família perder o acesso a internet por estar trabalhando em uma montagem com filmes de Watson que, é claro, ele baixou ilegalmente. Nesse futuro imaginado por Doctorow a internet é ainda mais essencial na vidas pessoas, a irmã de Trent, Cora, não consegue fazer os deveres de casa da escola sem a internet, a mãe não consegue se cadastrar para receber benefícios do governo e o pai perde o emprego. Para tentar evitar maiores transtornos para a família Trent foge para Londres.

Em Londres, depois de um período de adaptação, Trent se transforma em Cecil B. DeVil e começa a parte mais interessante do livro. A parte em que um grupo de jovens resolve lutar para acabar com as leis anti-pirataria. A primeira batalha explica como as grandes corporações controlam partidos e parlamentares que votam a favor de leis que não tem nenhum apoio dos seus eleitores. É uma ótima oportunidade para se entender como funciona o lobby e quão desconectados podem se tornar os nossos representantes, uma historia que entendemos muito bem aqui no Brasil.

A segunda batalha de DeVil e seus amigos é a mais interessante. É nesse momento que Doctorow levanta as mais importantes questões sobre pirataria e a importância da internet. Ele defende que a internet é um direito inalienável, que no mundo moderno e conectado tirar alguém da internet é negar a cidadania plena. A repressão policial e a conhecida inabilidade da indústria do entretenimento de lidar com uma geração que não entende como ilegal baixar filme, música e livros da internet. A indústria continua tentando manter um sistema que tem pouco ou nenhum futuro, algumas tentativas geram resultado como a do canal HBO de passar a série “Game of Thrones” no mesmo dia no mundo todo. Não é mais simplesmente ver o episódio, é ver o episódio junto com os amigos, junto com o mundo e comentar em tempo real, é a experiência. Mesmo com a estratégia vitoriosa a série ficou entre as mais baixadas da internet.

Voltando a livro, Trent tornar-se a cara do movimento que quer acabar com a Lei de Propriedade Intelectual. Seus filmes e a forma como ele e seus amigos travam a batalha contra a indústria do entretenimento é idealística e fascinante, tem aquele clima de livros de aventura de adolescentes, com romance, perigo, festas e até um grupo chamado de Jamies Dodgers . É uma aventura bastante geek, com muitos termos de tecnologia envolvidos, mas Doctorow consegue explicar de forma simples até os mais complexos conceitos de tecnologia usados e não fica em um didatismo chato. Da metade para o final não dá vontade de largar o livro.

Todos os livros de Doctorow são assim, mensagens importantíssimas sobre o nosso mundo conectado em uma ótima historia de aventura com jovens e adolescentes. No site dele você pode baixar de graça todos os seus livros em inglês e, se quiser, doar esse mesmo livro para escolas e bibliotecas pelo mundo.

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