Com outros olhos

Conheci a autora Thati Machado em um evento ano passado. Ou será que foi em 2014? Acho que não importa. O que importa é que na semana passada, nos reencontramos e ela me entregou um exemplar de seu novo livro: “Com outros olhos”.

Acho o máximo quando autores me mandam ou entregam seus livros. É um gesto de carinho e confiança. É uma grande responsabilidade abordar o trabalho dos outros. Bem, para mim é. Enfim, Thati me entregou o livro com uma dedicatória linda. Mas tive que ser realista: eu demoro para ler alguns livros porque tenho uma lista de leitura com base no Clube do Livro e de outros projetos. Eu leio, mas demoro para chegar em cada um. E ela super entendeu.

Thati é autora independente, o que quer dizer é que ela está correndo atrás de suas oportunidades com a cara e com a coragem e isso é louvável! A capa do livro é linda e disse isso para Thati e ela soltou um humilde “fui eu que desenhei”. Autora e desenhista!

Fui para casa, mas o livro da Thati não me saia da cabeça. Então acordei no domingo e resolvi ler logo. E li as 88 páginas e achei uma delícia!

“Com outros olhos” conta uma história de superação de Lana, uma jovem popular e com a vida perfeita que, por consequência de um acidente causado por seu ex-namorado, é deixada no escuro. Mas Lana não quer se deixar vencer e está determinada a trabalhar duro na melhor companhia teatral de seu estado. E lá ela encontra Arthur. Ele é seu príncipe encantado? Calma aí, gente! Muita coisa vai rolar até esses dois se acertarem.

“Com outros olhos” aborda superação, segundas chances (não só aos outros, mas a si), a importância da empatia e da família. Mas mais importante do que tudo, o livro mostra que é importante olhar para a literatura brasileira independente com outros olhos.

Thati escreve há bastante tempo, mas seu livro poderia ser mais bem desenvolvido em pontos da história. Está tudo lá, amarradinho, mas falta experiência de um editor para pontuar o trabalho da autora com sugestões como “explora mais esse ângulo” e “não me conta, descreve. Me mostra. Não quero saber, quero acompanhar a descoberta.”

Ao ler “Com outros olhos”, a sensação que tive é que os personagens falavam tanto e tanta coisa acontecia na cabeça e no coração da autora, que ela tinha que transbordar tudo para as páginas o mais rápido possível! E com razão. Mas, na minha opinião, após tudo no papel, é preciso tirar uns dias para deixar a poeira baixar (e o coração acalmar) e retornar à história com olhos frescos. Aí é a hora de enriquecê-la. E é aqui que senti a falta de um editor para dar uma mão.

O carinho que Thati tem com os personagens e com o ofício de escrever é nítido em sua narrativa e a obra só peca por falta de acabamento. Mas é exatamente isso que quero dizer quando falo que a literatura independente brasileira precisa ser vista com outros olhos.

Em época de redes sociais, é muito fácil apontar o dedo (ou o cursor) e criticar sem contexto, argumento ou preocupação com os sentimentos alheios. Thati colocou um pedacinho do seu coração nas páginas de seu livro e me entregou com cuidado, pedindo para eu tomar conta dele. Ao comprar cada exemplar – principalmente de um autor iniciante -, é isso que levamos junto para casa: a responsabilidade de ser um leitor.

Pensando assim, concluo esse post ao dizer que “Com outros olhos” traz um twist muito bacana sobre um dos personagens (que se eu contar estraga), é uma história linda e que mostra o potencial que Thati Machado tem como autora. E a lição fora das páginas que aprendi ao terminar essa leitura é que ler é muito mais proveitoso quando feito com o coração aberto e sem “pré” conceitos.

Para conhecer o trabalho da Thati, acesse www.nemteconto.org/thatimachado e

boa leitura!

Um pensamento em “Com outros olhos”

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