Correio para Mulheres

Clarice Lispector tem essa imagem de mulher séria, sempre com um cigarro na mão, o sotaque empregando um certo exotismo ao que era dito. Autora de obras profundas e reverenciadas. Por isso parece estranho descobrir que ela escrevia colunas femininas para jornais e revistas nas décadas de 1950 e 1960. São essas colunas que estão reunidas no ótimo “Correio para Mulheres”.

Fazia tempo que queria ler esse correio feminino produzido por Clarice, desde 2006 quando uma coletânea foi lançada. Passaram-se mais de uma década e eu finalmente consegui devorar essas colunas. Clarice era ghostwriter nessas colunas e estava ali para dar dicas e conselhos para mulheres pré-revolução sexual e com isso tem muito conteúdo datado e que fariam movimentos como #MeToo enlouquecerem. É um retrato de uma época e não se lê colunas femininas da década de 1950 para apreciar os conselhos e sim para ver a habilidade narrativa de uma das minhas escritoras favoritas.

O livro agrupa as colunas em oito grandes grupos e cada um deles tem seu charme. Os dois últimos (Receitas e Segredos) são textos curtos com uma série de dicas de beleza e sobre a vida conjugal. Tudo isso pode parecer sem apelo algum para os dias de hoje, é verdade. O que vale é ver o estilo de Clarice que aparece aqui e ali. Um dos meus textos preferidos é logo no comecinho do livro quando ela fala da mulher esclarecida e a necessidade de se ler sempre e ler melhor e termina com “Aprender tem qualquer coisa de milagroso. O milagroso está nisso: quando se aprende… se sabe.”

Clarice é sempre uma leitura fascinante para mim, mesmo que sejam colunas femininas do meio do século passado. “Correio para Mulheres” é uma ótima leitura.

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