De volta à Seleção

Depois do sucesso da trilogia “A Seleção”, a autora americana Kiera Cass fechou a publicação de mais dois livros dando continuidade à história de América e Maxon (foi mal, mas se você não leu a trilogia, tinha nada que estar lendo esse aqui. Tá atrasado! *risos*)

Duas décadas se passaram desde que America e Maxon se tornaram governantes de Illéa. Justo e correto, Maxon tenta ser o melhor rei possível, mas a situação política, econômica e social não está funcionando como gostaria. O povo – que antes era dividido por castas que determinavam quais funções poderiam desempenhar como profissão – está sem “norte”. Uns querem desempenhar funções que faziam antes enquanto outros querem subir de vida, estudando para serem profissionais melhores. Ambos são vistos com preconceito de maneira diferente. Igualzinho à nossa realidade!

Ataques começam e Maxon e America precisam de algo para distrair a população enquanto pensam em uma solução para o problema. Esse “algo” é organizar mais uma Seleção para escolher um marido para a herdeira do trono, a princesa Eadlyn.

Eadlyn é a mais velha de quatro filhos. Além do irmão gêmeo Ahren (que é um amor e apaixonado pela princesa da França), Eadlyn tem os menores e muito inteligentes e arteiros Kaden e Osten Schreave. Criada desde o nascimento para se tornar rainha, Eadlyn está com 18 anos e é extremamente fria. Para ela, tudo precisa ter ordem e estar dentro dos conformes. Dedicada ao seu povo e ao trabalho ao lado do pai, Eadlyn procura ser o mais justa possível, mas como também nunca conheceu de fato a vida de alguém fora da realeza, a jovem não entende o contexto do que está acontecendo.

Então o livro segue mais ou menos o que aconteceu em “A Seleção” no sentido de nós, leitores, acompanharmos o processo da Seleção. São escolhidos por sorteio 35 participantes, entre eles está Kile, filho mais velho de Marlee, melhor amiga de America e que vive no castelo. A situação é complicada, porque Kile e Eadlyn cresceram juntos e não gostam tanto um do outro: ela o acha entediante e ela a acha mimada. Claro que, ao longo do livro eles se conhecem melhor (o que é engraçado, já que vivem juntos desde sempre) e entendem o verdadeiro “eu” de cada um.

Daqui para frente, vou mencionar spoilers. Leia por sua própria conta e risco!

Tá, só porque eu PRECISO falar isso ou vou explodir! Uma personagem que odiei foi Josie! CHATA PACAS! Irmã mais nova de Kile, ela fica pegando emprestada as tiaras de Eadlyn sem pedir e usando como se fosse princesa. Kile explica que ela só quer chamar a atenção porque crescer à sombra de Eadlyn não é fácil. Na boa? DANE-SE! Eadlyn será rainha e não é para ser fácil, até porque Josie não é irmã dela! Garota mala e chata. Espero que ela melhore no próximo livro. Pronto falei tô leve.

Agora voltando para os temas e cenas importantes de “A Herdeira”.

Adorei Eadlyn desde o início. As primeiras linhas do livro narram que, por apenas sete minutos, ela se tornou a herdeira do trono e não seu irmão gêmeo. Por apenas sete minutos, ela teve que doar sua vida ao país e abdicou – sem ter o direito de escolha – de suas vontades próprias. Ela será rainha e foi criada para tal.

Parece fácil e lindo e rico e tudo de bom, mas não pode ser nada disso. Claro que ao longo da narrativa vimos que Eadlyn tem tudo que quer, mas entende que tem que ter alguém ao seu lado para poder reinar. Não que não possa assumir o trono sozinha, mas seus pais querem que ela tenha alguém para dividir o peso da coroa, a responsabilidade. Ela acha que é bobagem, que a estão usando para distrair o povo (e estão, claro!), mas não entende como uma pessoa ao seu lado, por quem não é apaixonada, fará a diferença. Até mais capítulos se passarem e ela entender que o amor é o porto seguro no qual nos apoiamos para resolver todo e qualquer problema.

E essa descoberta aos poucos é lindo de se ler! A transformação de Eadlyn durante o livro é incrível e muito bem escrita. Uma jovem com tanto peso sobre seus ombros, sofrendo tanta pressão para ser quem os pais querem que seja, quem o povo quer que seja. É fácil de se identificar. Tirando a tiara, somos todas Eadlyn. Ou fomos ou ainda seremos.

Eadlyn é linda e parece ser perfeita, mas é vista por todos como sendo fria e péssima. E ela não entende a razão de a virem assim. Ela acha injusto. Até que um dos seus irmãos pequenos diz para ela que sim, ela será rainha e que isso é uma grande responsabilidade, mas que poderia ser de qualquer um deles. “Pare de achar que você é melhor do que os outros”. E foi LINDO! Porque as vezes, temos tanta responsabilidade e tanta gente dependendo de nós que é fácil reclamar e se apoiar nisso para justificar ser grosseira ou fria.

Outra característica de Eadlyn é que ela é uma mulher que sabe o que quer. Em alguns momentos, ela beija Kile porque quer esquecer da Seleção, quer se distrair. Ela se amarra em um boy magia, minha gente! ADORO! Gosto do fato de que uma jovem – de 18 anos, olhe bem – não é hipócrita, mas que tem noção de seus desejos. Ela quer dar uns amassos, mas não quer ter que casar com ele. Curti. Ah, e ele sabe disso tudo, tá? Tá na chuva para se molhar felizão (e com um acordo com Eadlyn)!

Beijos, beijos é o que nos leva para uma cena linda – com outra gatchénho – na cozinha. Eadlyn e Henri (se não me engano) dividem um beijo açucarado liiiiiiiiiiiiiiiiindo! Adorei essa cena e, por mais que ache que não vai ser ele a se casar com a jovem, amei o momento! Foi digno daqueles filmes bem românticos, sabe? Ai …. suspirei aqui!

Mas nem todos os boys no castelo são bacanas com Eadlyn e querem conquistá-la ou apenas sua coroa. Um deles achou que poderia tomar o que gostou à força e Eadlyn revidou com tudo que tinha. Não é não e é importante tocar nesse assunto em livros, principalmente para jovens. Não é não. Ponto final. E a cena seguinte é a minha preferida no livro: Eadlyn e os irmãos adormecem juntos, todos protegendo ela, como uma família, independente de coroa. Simples e perfeito! Ai, gente, sou filha única e fiquei muito carente nessa cena! Me abracem!

E, obviamente, Kiera Cassa quase MATA a gente do coração ao terminar o livro com um gancho BIZARRO que coloca uma personagem no hospital, entre a vida e a morte. E aí? Cadê o próximo livro?

“A Herdeira” é diferente da trilogia anterior e, ao mesmo tempo, dá continuidade a ela. A passagem de bastão da protagonista mãe para a filha foi escrita de tal forma que seguimos a continuidade da história sem ferir o amor que temos pelos personagens antigos. Super dica é ler os contos antes de ler “A Herdeira”. Eles preenchem um pouco o vazio entre a trilogia e o quarto livro. Destaque vai para “A Rainha” que merecia um livro inteiro só dela!

Quer falar mais sobre a obra de Kiera Cass e ainda concorrer a um livro autografado por ela? Então clica aqui (https://www.facebook.com/events/1600672796837210/) e apareça na Livraria Cultura Cine Vitória (no Centro do Rio) no sábado, 6 de junho.

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