Depois de Você

Eu tenho essa compulsão de que se começo a ler uma serie tenho que ir até o fim mesmo que não tenha gostado do primeiro livro, sou incapaz de parar. Foi essa compulsão que me fez pegar “Depois de Você” para ler, achei “Como eu era antes de você‘ só ok e achava que era um livro que se fechava em si e que não precisava de um continuação. Estava completamente certa.

Jojo Moyes lançou “Depois de Você” depois do sucesso estrondoso da historia de Will e Lou e fica bem claro, já nas primeiras paginas, que “Depois de Você” tem mais vocação para caça níquel do que para um bom livro. Estamos 18 meses de depois dos acontecimentos do primeiro livro e Lou consegue estar mais perdida do que quando perdeu o emprego na cafeteria. Do momento em que Lou cai do telhado de seu prédio até a última página o livro é uma confusão de historias que não chegam a formar um todo. Deveria ser um livro sobre a superação do luto, sobre seguir em frente, sobre conseguir se reerguer depois de evento traumático. Moyes não consegue fazer nada disso, existem, aqui e ali, alguns bons momentos nessa direção, mas na maioria das paginas é tudo meio solto e sem sentido.

Lily, um menina que se diz filha de Will, bate a sua porta e como em um passe de mágica cuidar de uma adolescente problemática torna-se o centro do seu mundo. É tudo muito rápido e completamente sem fundamento. Lily é, por sinal, um personagem insuportável, mesmo depois de tornar-se mais sociável continua sendo alguém impossível de se ter empatia por. Em um primeiro momento se acredita que Lily seria o estopim para um novo começo, um impulso para que Lou consiga digerir o passado, mas o que acontece não tem nada a ver com isso e só piora a depressão e confusão de Lou. Para piorar um pouco as linhas de histórias que não fazem sentido nesse livro está a da descoberta feminista da mãe de Lou, nada é mais sem lugar do que Josie e seu enfrentamento com o marido. Nada contra narrativas feministas e mulheres de meia idade descobrindo Simone de Beauvior, mas não cabe aqui e não leva a história a lugar algum.

A única linha de história que tem coerência e que deveria ser melhor explorada é a relação de Lou com Sam, ali sim teríamos uma historia que poderia seguir os passos do primeiro livro. Um bom romance com nuances que Moyes já mostrou ser capaz de desenvolver, mas ela opta por deixar essa linha narrativa em segundo plano e no final ainda tem um momento completamente desnecessário, algo que me lembra o meu maior problema com John Green: só a morte ou o risco de te leva a epifania. Nada mais raso do que isso para uma narrativa. De qualquer forma quando o livro foca em Lou e Sam a historia anda com mais suavidade e torna-se um boa leitura, o problema é ter que suportar todo o resto. É uma leitura que me causou uma certa irritação por desperdiçar a oportunidade de ser um ótimo livro, Moyes sabe escrever e desenvolve bem suas história precisa só descobrir que é melhor contar uma história bem do que umas três todas mais ou menos.

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