Escolas de samba do Rio de Janeiro

Sergio Cabral é uma referencia quando se fala em jornalismo e samba. Talvez por ter tido o nome manchado pelo filho, o ex-governador do Rio de Janeiro que está preso, seja tão difícil encontrar os livros dele que falam sobre as escolas de samba. “As escolas de Samba do Rio de Janeiro” é leitura obrigatória sobre a formação e o nascimento do carnaval do Rio e só é possível de se ler no kindle, ainda bem que há alguma forma de se ler.

Sou leitora voraz de tudo o que se refere ao samba do Rio de Janeiro e a formação das escolas, vocês já devem ter reparado. O livro de Sergio Cabral é uma grande reportagem sobre a criação das primeiras Escolas, seus fundadores e os primeiros desfiles. Em nenhum outro livro encontrei as brigas, as interferências políticas e a criação do que hoje é a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). É um aspecto que falta nos tantos livros que li sobre o assunto e é interessante ver como governo tentaram influir na festa popular e como os subsídios se iniciaram, esses mesmos que o atual prefeito do Rio, Marcelo Crivela, que acabar.

Entre atas de fundação das Escolas e personagens fundamentais como Natal, Paulo da Portela, Bide, Cartola, Carlos Cachaça e tantos outros Cabral vai relatando as dificuldades que o povo do samba passou para ver sua festa reconhecida. Como a urbanização da cidade expulsou os desfiles da Praça Onze (ao final uma música emblemática da tristeza dos sambistas com a retirada dos desfiles desse local) e eles ficaram peregrinando por vários pontos do Centro até acabar na Marques de Sapucaí.

Cabral divide o livro na evolução dos desfiles, o inicio é uma espécie de era de Ouro que vai até o momento em que os avanços tecnológicos e a popularização do espetáculo começam a interferir. Só um samba é cantando, carros de som, obrigatoriedade de quesitos, o fim dos sambas de quadra, alas comerciais. Cabral vai ficando ranzinza ao longo do livro, um grande saudosista.

Todo as minhas memórias do carnaval do Rio são em desfiles no Sambódromo. Fui durante anos ver a minha Beija-Flor desfilar, passei por diversos setores, já fui de arquibancada e camarote e duas coisas sempre me intrigaram sobre o projeto do Oscar Niemeyer: primeiro porque a visão do publico não é completa em todos os setores e segundo como uma obra feita nos anos 1980 tem tão poucos pontos de câmera para transmissão. Você já reparou que na TV o desfile só é mostrado na integra quando as escolas chegam no meio da Avenida? É porque não há bons pontos de câmera antes disso.

Cabral é o primeiro autor a explicar isso. Darcy Ribeiro, então vice-governador do Rio, junto com Niemeyer idealizaram o Sambódromo. Antes o desfile exigia que se montasse e desmontasse uma mega estrutura de arquibancadas. A ideia de um local fixo é ótima, o problema é que ela foi idealizada por duas pessoas que nunca assistiram a um desfile na vida, e ambos admitiam isso em entrevistas. Talvez por isso Darcy Ribeiro tenha tido a ideia louca de que alguma escola chegaria na Praça da Apoteose e voltaria pela avenida, só alguém que nunca viu a disputa pode ter uma ideia dessas. O sambódromo é desconfortável para a maioria do publico, os preços afastam as comunidades do espetáculo e, mesmo pela televisão, é difícil de ver porque o projeto não pensou em transmissões quando foi feito. O livro de Cabral me fez querer saber bem mais sobre a construção do Sambódromo.

A leitura é para os que amam o carnaval como eu. Uma grande reportagem sobre a criação das Escolas e seus personagens principais.

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