A Escolha

A trilogia “A Seleção” chega ao fim. E já tem novidades!

20140508_223329Quando bateu meia-noite de 6 de maio, entrei na Amazon e comprei “The One” (título original de A Escolha, editado no Brasil pela Seguinte) para o meu Kindle. Estaria no trabalho o dia todo e não conseguiria passar na livraria para comprar um exemplar. Resultado: cheguei do trabalho e virei a noite não somente porque PRECISAVA saber o que acontecia, mas estava morrendo de pavor de ver/ler spoilers nas redes sociais. É exatamente por isso – o medo de spoilers – que vou avisar quando vou mencioná-los aqui, ok? Por enquanto, pode ler sem medo.

“A Escolha” é o último livro da trilogia “A Seleção”, escrita pela americana Kiera Cass. Não vou entrar na sinopse porque se você quer saber o assunto, deveria ter lido os primeiros dois livros. No caso, leia a resenha do primeiro aqui  e do segundo aqui. Viu? Sou boazinha!

Continuando, em “A Escolha” o que mais queria saber era com quem America ficaria. Já havia escutado de que Kiera só daria essa informação bem no final do livro mesmo, então a agonia triplicou.

A trama se desenvolve bem depois do segundo livro – “A Elite” – com poucas meninas da Seleção no castelo, o príncipe Maxon sendo pressionado, o Rei agoniado e America indecisa entre seu amor por Maxon e por Aspen, ex-namorado que é guarda no palácio. Mas as investidas rebeldes que se agravaram no segundo livro pioram ainda mais no terceiro e a parte política entra com força, como eu havia previsto que aconteceria. Afinal, a trilogia é distópica e a parte política sempre é presente, mesmo que sutilmente.

spoiler

ATENÇÃO! A PARTIR DAQUI, MENCIONO MUITOS SPOILERS! ATENÇÃO! DEPOIS NÃO RECLAMA!

Se você acha que o livro é bobo porque trata de um concurso para encontrar uma princesa e que America é apenas mais uma protagonista mala dividida entre amar dois gatinhos, está na hora de parar de correr na leitura e prestar atenção na mensagem.

Que Maxon escolheria America todos sabiam, já que o príncipe é completamente apaixonado por ela. Mas se America escolheria Maxon era sempre a questão. Por mais que fosse possível Kiera Cass criar situações para que isso não ocorresse, eu sabia que America ficaria com Maxon no final. Por quê? Porque não estamos falando apenas de amor. Amor romântico é apenas o topo do iceberg. America faz Maxon ser uma pessoa melhor, ela tem um efeito forte e positivo nele, seja explicando a vida fora dos portões do palácio, seja desafiando leis, costumes e o próprio rei. Aspen é amado e sempre será, mas ele foi uma fase. Maxon é o amadurecimento dela e ela dele. Eu me apaixonei por ele no final de A Seleção e já o havia escolhido em A Elite, mas em A Escolha, Maxon realmente se provou digno não somente do amor de America, mas do país, tendo momentos políticos muito interessantes e de crescimento do personagem. Ele saiu da esfera de “dois gatinhos” e reinou (perdão pelo trocadilho) sozinho. Até porque Aspen meio que sumiu do livro e só foi aparecer mais para o meio. Creio que tenha sido estratégia de Kiera para não deixar as fãs do personagem muito tristes com a escolha de America.

A parte política que envolve os sistemas de castas, ataques rebeldes e de questionamento do rei foram muito abordadas em “A Escolha”, fechando de forma bastante satisfatória. Senti falta de um ponto interessante que Kiera tocou no primeiro livro que era da história do país ser passada apenas por meio oral e não em livros. Embora o tema seja tocado, não mostra a força que poderia ter.

Outro ponto interessante é a amizade entre as competidoras pela coroa. Kriss, Celeste, America e Elise não poderiam ser mais diferentes e estão todas querendo puxar o tapete uma da outra para conquistar Maxon. Mas em A Escolha, isso muda e de uma maneira muito bacana. As meninas conseguem ver as vulnerabilidades umas das outras e em uma passagem excelente entre a Rainha e America, vimos o quanto mulheres perdem quando competem entre si no lugar de serem amigas. Essa conversa acaba transformando uma personagem – que aliás foi uma surpresa até o finalzinho! – e resulta em uma cena linda com todas elas.

Aliás, Kiera Cass acabou de revelar que teremos uma novella prequel chamada “A Rainha”. Ou seja, saberemos como foi a seleção da mãe de Maxon! Assim como os contos “O Guarda” e “O Príncipe”, “A Rainha” será curto, mas deve ser impactante, pois trata de uma personagem muito bem construída e explorada, mas que por razão da temática e narrativa, não pôde aparecer mais do que apareceu. Que bom que teremos mais informações sobre ela!

Voltando. Outro assunto abordado de maneira bacana em “A Escolha” é a pressão sob Maxon. É normal acreditar que é fácil ser príncipe, mas Kiera mostrou a pressão de fazer a coisa certa para uma nação, a de agradar não somente o rei, mas a figura do pai, de ter uma posição de destaque no “tabuleiro”, mas se sentir um “peão” nele. Estar no topo vem com privilégios, mas a responsabilidade também requer muitos sacrifícios e Maxon passa por tudo isso e muito mais.

Claro que nem tudo funciona bem no livro. No meio, Kiera introduz uma personagem interessante e que vem para ajudar e contextualizar a condição de America. Mas ela some depois. Tipo, nem é mencionada! Achei um furo, mas não chega a ferir a história. Só era desnecessário valorizar para sumir depois.

Outro problema são os últimos seis capítulos. Li o livro inteiro em aproximadamente seis horas e senti o final muito corrido para tudo que acontece. No dia seguinte, reli os últimos capítulos para ver se era o sono falando ou se o ritmo acelerou demais mesmo. Minha conclusão é que foi ambos. “A Escolha” tem um ritmo acelerado e coerente, mas Kiera pisa no acelerador no final e senti que se ele tivesse mais uns três capítulos para diluir a informação, valorizando mais alguns acontecimentos, teria sido melhor.

Por exemplo, temos alguns personagens que morrem – Sim! Fiquei passada! – um casamento, uma cena de luta muito tensa, a escolha de America por Maxon e como Aspen entra (ou sai) do circuito e …. tudo muito rápido! Era importante valorizar mais esses acontecimentos, a falta dos que partiram. Mas tudo bem. Não fere a narrativa, mas a deixa com lacunas que poderiam ter sido preenchidas de uma maneira mais completa.

E por último, porque isso tá mais parecendo um ensaio do que uma resenha, cheguei a conclusão de que voltei a me apaixonar por Maxon e pela escrita de Kiera Cass e que quero que ela lance algo novo logo. Eu sei que ela acabou de lançar “A Escolha”, mas sou fã e exigente, oras! Kiera, além de ser muito simpática, ama o que faz e escreve com o coração. Isso é evidente em seu trabalho e faz com que a gente se apaixone pelo livro como um todo porque sentimos o carinho nele e por ele. Faz sentido?

Amei demais embarcar nessa Seleção, integrar a Elite que pôde estar com Kiera Cass quando ela veio ao Rio (nossa conversa está aqui e aqui ) e me sentir Escolhida. Obrigada Editora Seguinte (Diana Passy, você é show!) por publicar essa trilogia com tanto carinho e cuidado. E um beijo especial para a Silvania Teixeira, que foi a primeira pessoa que me falou sobre A Seleção com brilho nos olhos e sorriso nos lábios.

A Editora Seguinte já está marcando eventos para falar sobre A Escolha. Confira aqui a lista com todos. O do Rio ainda está sendo fechado, mas fiquem ligados!

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4 pensamentos em “A Escolha”

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