Eu quero ser a Bridget Jones

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Tem épocas em que não é fácil ser mulher, esses dois últimos dias, por exemplo, não estão sendo nada fáceis para nós. Precisamos nos armar e lutar para mais uma vez mostrar ao mundo que tudo o que queremos é ser livres, fazer nossas próprias escolhas, mandar em nossos próprios corpos, viver sem medo e não termos que provar nosso valor a cada segundo. É uma época que exige que sejamos mais Katniss Everdeen e todas as heroínas badass da literatura, porque precisamos nos armar com toda nossa força e seguir em frente.

São dias assim que me fazem pensar que ser a Katniss cansa, que ter que provar meu valor a cada segundo é exaustivo e até frustrante, porque tem sempre quem ainda duvide e exija mais e mais de você.  Quando sentei no computador para escrever essa coluna minha ideia era falar sobre a Bridget Jones, sobre seus livros que adoro tanto. Mas comecei a pensar no porquê do meu amor pela personagem, o que me atrai tanto. A resposta veio muito fácil: Exatamente por ela ser como eu e você. Ela tem os mesmos sonhos, desafios e frustações. Ela quer ser uma pessoa melhor, mas é difícil, porque cada vez que ela se esforça, o seu melhor parece não bastar.

Aí você pensou: nossa, mas a Bridget Jones é tão fútil, só se preocupa em arranjar um marido e não se importa com mais nada. Bom, essa impressão é completamente errada. Bridget é sim como todas nós. Ela briga com a balança, com o hábito de fumar e com sua tendência a falar o que pensa. O lance é que ela não precisa brigar com nada disso, pois é a sua essência, é o que torna Bridget Jones em Bridget Jones, e o mundo deveria ama-la do jeito que ela é. Felizmente, Mark Darcy ama e todos nós também.

E é isso, eu quero ser a Bridget Jones, quero poder ser quem eu sou. Quero poder ser insegura, cheia de defeitos, quero precisar de um colo de vez em quando, dos meus amigos, da minha família, ou me bastar. Quero comer o que eu quiser e no dia seguinte achar que preciso emagrecer ou ser feliz com meu corpo do jeito que ele é. Quero ter um namorado, marido, ou namorada ou apenas não ter. Quero ser vaidosa, me arrumar, ou nem ligar pra isso, me vestir como eu quiser. Quero cometer erros e me arrepender, quero ser feliz, triste, extrovertida, tímida, raivosa e amorosa. Quero ser humana, ser respeitada por isso e apenas por isso. Não quero ser julgada por ser mulher, ser chamada de louca, de histérica e coisas piores, apenas porque tenho uma opinião, ou porque me recuso a ser como acham que eu deveria ser. Quero ser amada por ser exatamente como eu sou e quero que todas as mulheres do mundo também sejam. Quero que todas nós sejamos Bridget Jones.

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