Eu, Você e a Menina que Vai Morrer

Tenho que dizer que a primeira vez que ouvi falar dessa historia foi no festival de cinema de Sundance, “Me and Earl and the Dying Girl” (título do livro em inglês) foi o filme vencedor do prestigioso festival de cinema e eu o coloquei na minha lista de filmes para assistir. Só me toquei que o filme era baseado em um livro quando recebi um e-mail da editora Rocco falando sobre seus novos lançamentos. Não pensei duas vezes e fui logo comprar o livro. Uma boa compra por sinal.

“Eu, Você e a Garota que Vai Morrer”(Fabrica 231, 2015, tradução de Ana Resende) é escrito em primeira pessoa por Greg, um adolescente no ultimo ano do colégio que, por insistência da mãe, acaba passando bastante tempo com Rachel, uma adolescente diagnosticada com leucemia. Você está sentindo um quê de “A Culpa é das Estrelas” no ar? Quando li o resumo do livro na amazona fiquei com a mesma impressão, impressão essa que o próprio narrador destrói logo no primeiro capitulo dizendo :

“E, ao contrário da maioria dos livros nos quais uma garota tem câncer, definitivamente não há parágrafos de uma frase só, paradoxais e açucarados, que vocês deveriam achar profundos porque estão em itálico:

O câncer lhe tirara seus olhos, mas ela via o mundo com mais claridade do que nunca.

Nojento. Esqueçam isso.”

E isso resume bem o que é livro, é um adolescente de 16 anos falando sobre o seu ultimo ano de colégio, de seus amigos, de seu cotidiano e de Rachel e como ele lidou com a convivência com umaEu-Você-e-a-Garota-Que-Vai-Morrer-Livro-Capa menina com câncer. O tema pode parecer um pouco deprimente mas é tratado com um certo humor. Greg se autodeprecia o tempo todo e entender o que passa na cabeça dele nas situações é hilário.

Se a junção de adolescente, ultimo ano de colégio e a realização da mortalidade não fosse o suficiente para compor um livro Jesse Andrews fez de Greg um grande cinéfilo. Um cinéfilo que se apaixona pelo cinema vendo “Aguirre, cólera dos Deuses” de Werner Herzog, se não estivesse adorando a leitura até o capitulo que Greg fala sobre sua paixão por cinema certamente me apaixonaria nesse momento. A forma como ele descreve o impacto da atuação de Klaus Kinski nele é maravilhoso, é o impacto que qualquer cinéfilo teve em algum momento da vida que o fez se tornar cinéfilo. No meu caso foi “Crepúsculo dos Deuses”.

É nesse momento do livro que começamos a conhecer Earl, que está presente no titulo em inglês do livro, o colaborar de Greg em filmes caseiros que recriam clássicos. Fiquei com uma vontade incrível de assistir os filmes que Greg e Earl fazem ao longo do livro, espero que eles estejam na adaptação cinematográfica. A dinâmica entre os dois amigos é ótima, é daquelas amizades que sobreviverá ao final do colégio, não há dúvidas.

O livro segue bem até o terço final quando começa a perder um pouco do sarcasmo do inicio e termina meio do nada. Mesmo esse final irregular não tira dele o titulo de uma boa leitura, pelo contrario. Em um momento em que a literatura Young Adult está cada vez mais sendo igual a livro para menina é bom ver um livro feito para os meninos e muito bem feito por sinal.

Assista o trailer do filme:

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