Fala S̩rio, ṃe! РFilme

Quando pintou a oportunidade de assistir “Fala Sério, Mãe!”, lançamento do mês nos cinemas baseado no livro homônimo de Thalita Rebouças, a primeira coisa que eu pensei foi: “esse filme não é pra mim”. Preciso ser sincera que essa nem de longe seria a minha primeira escolha na bilheteria.

Mas como eu estava enganada! “Fala Sério, mãe!” é daqueles que é pra todo mundo, de todos os gêneros e idades. Recheado de clichês da relação mãe e filha, é um longa bastante previsível, mas nem por isso menos divertido. É aquele filme pra ver com a família, pra se identificar com cada situação, com cada fala, pra rir ou mesmo suspirar e pensar “putz, é assim mesmo!”.

É engraçado perceber que a história de Ângela Cristina (mãe) e Maria de Lourdes – a Malu (filha), foi publicada pela primeira vez lá em 2004 (parece tão longe agora!), quando eu mesma ainda era adolescente. Foi febre na época, mas não uma que eu acompanhasse. Infelizmente a “fase Thalita Rebouças” com a sua série de livros “Fala Sério”, não me pegou. Talvez porque eu estivesse grudada demais nos Harry Potter, talvez porque eu não fosse uma adolescente dentro da curva, não sei. O importante foi que quando eu entrei pra pré-estreia do filme eu me dei conta que muitas mulheres que tinham sido fãs da Thalita, enquanto adolescentes, já podiam estar ali como mães. Buguei legal e pensei: FALA SÉRIO, TEMPO!

Até o “Fala sério” se tornou uma expressão meio ultrapassada. Percebi que enquanto no livro ele não sai da boca de Malu, no filme ela só fala em momentos bem emblemáticos e de forma bastante enfática. A geração Thalita Rebouças de hoje não arrota mais “Fala sério” o tempo inteiro como a minha adorava fazer. Acho que tão mais pro “affs”, “ninguém merece”, sei la… Quando você não sabe mais o que os jovens falam, quer dizer que você tá velho. Fala sério, passei de Malu a Ângela Cristina num piscar de olhos.

Esse foi um outro aspecto que me surpreendeu. Como eu disse, quando o livro foi publicado pela primeira vez, muitas das menininhas daquela sessão de pré-estreia não estavam nem programadas pra nascer. Óbvio que eu, tola que sou, pensei: “tão aqui só por causa da Larissa Manoela”. Afinal, a mini grande artista é realmente um fenômeno, e vem arrastando por onde passa uma legião de fãs. Verdade seja dita, a atuação da pequena não deixa em nada a desejar, e seus diálogos com a já fera Ingrid Guimarães nos arrancam risadas fáceis e até algumas lagrimas incontroláveis.

Mas voltando às meninas presentes, é claro que elas amam a Larissa Manoela e tudo mais, mas que delícia que foi vê-las aguardar ansiosamente em uma fila só pelo prazer de uma foto ou um autógrafo da Thalita. Tava ali a prova, o livro estava vivo. Geração após geração, “Fala Sério, Mãe!” se mostrava um livro universal. Porque fala de mim, de você, das nossas mães, das vós, da mãe da amiguinha, da própria amiguinha, tá tudo ali, somos um ciclo sem fim. Tão universal que na última edição passou por uma revisão e ampliação. Malu deseja mais, precisava falar mais, viver mais, e Thalita resolveu nos contar sua história até os 23 anos, bem como no filme.

Mas não tem lugar pros pais, pros irmãos? Tem, claro! Eles estão lá, tanto no filme, quanto no livro. No filme confesso que os achei mais apagados, mas ainda assim estão ali. Mas não vou negar, são mesmo coadjuvantes numa relação tão complexa quanto essa de mãe e filha. “Fala sério, Mãe!” é aquele filme que não foi feito pra ver sozinha. Vai com a sua mãe, ou com sua filha, ou mesmo com umas amigas, o importante é ter com quem comentar sorrindo “igualzinho a gente” e ter quem abraçar no fim quando a lagriminha rolar e você pensar: “minha mãe/filha é uma doida. Mas o que eu seria sem ela?”

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