Ficção Científica x (ou+?) Fantasia

De tempos em tempos alguém decide reviver uma velha questão como se fosse o monstro de Frankenstein: “O que é Ficção Científica?” Definir o que é ou não FC é uma discussão que antecede até o próprio nome do gênero. E além disso tem uma questão que é ponto importantíssimo para os puristas: diferenciar Ficção Científica de Fantasia.

Recentemente quem decidiu remexer nesse vespeiro é alguém que já tinha dado uma definição divertida, e não precisava a essa altura da vida (79 anos) arrumar briga. 

Norman Spinrad sempre gostou de uma polêmica. Seu romance Bug Jack Barron (1969) foi considerado tão indecente que foi parar nos debates do parlamento britânico. Os conservadores queriam cortar as verbas que a revista New Worlds, que publicou a história, recebia como parte de incentivos à cultura. Além de escritor ele é crítico e assina uma coluna na revista Asimov’s. Na última delas, despejou sua ira sobre a SFWA, associação dos Escritores de Fantasia e Ficção Científica da América. Principalmente pelo que ele considera um empobrecimento do gênero, ao misturar fantasia junto com a Ficção Científica “de verdade”. O texto foi escrito em parte como resposta de Spinrad em defesa do já falecido editor John Cambell Jr., chamado de fascista e racista pela escritora Jeannette Ng num discurso na premiação do Hugo deste ano. Spinrad chega a perguntar de que “lado” o leitor está. 

A gritaria foi tanta que a revista chegou a tirar a coluna do ar, depois recolocou mas com uma advertência de que não representa a opinião dos editores da revista. 

Norman Spinrad

Eu já fui culpado também na juventude de fazer uma distinção rígida entre Fantasia x FC, como se esta última, por estar supostamente baseada na ciência, fosse automaticamente mais séria, tivesse mais valor. Puro preconceito. É como aquela atitude de quem diz que “Star Wars não é FC, é fantasia espacial”. Hoje em dia os dois gêneros se misturam tanto, tem tanta gente fazendo coisas interessantes com essa mistura, que essa discussão perdeu o sentido. Hoje é o gênero da pluralidade, da diferença. Não precisamos de mais muros, de divisões. A própria SFWA antes tinha só Ficção Científica no nome. Passou a incluir “Fantasia” em 1991. Ou seja, Spinrad está com um atraso de 28 anos. É uma pena ver um escritor que já foi um jovem irado se transformar num conservador ranzinza. 

Logo ele, que já definiu FC como “qualquer coisa que seja publicada como Ficção Científica.”

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