Fogo e Fúria

 

É o livro mais explosivo do ano. Ou não. Michael Wolff promete expor os bastidores da Casa Branca de Donald Trump. O Presidente ameaçou tentar proibir, mas a editora Macmillan/Henry Holt & Co. pagou pra ver e antecipou o lançamento. Trump e seus assessores dizem que é fantasia. Wolff diz ter gravações e anotações que comprovam (quase) tudo o que escreveu. Quem está falando a verdade?

O retrospecto não é favorável ao empresário-presidente. Um levantamento do Washington Post encontrou 1.945 inverdades ditas por Trump nos primeiros 347 dias de presidência. Dá mais de 5 mentiras por dia. Já o jornalista explica que confiou nos relatos que colheu de pessoas próximas a Trump. Admite que ouviu versões conflitantes, mas que teve testemunhas que corroboraram as versões que resolveu publicar.

Logo de cara, ele afirma que ninguém acreditava que Trump pudesse ganhar a eleição – nem o próprio candidato. Assessores, consultores – todos já pensavam em como o trabalho na campanha iria alavancar as carreiras de cada um. Trump, segundo Wolff, achava que ia sair como “campeão moral”, um mártir derrotado pela “desonesta” Hillary Clinton.

Steve Bannon, o ex-estrategista-chefe de Trump, é descrito como um picareta, um aproveitador. De certa maneira, é Bannon, mais do que o próprio Trump, o personagem principal.

No mais, a narrativa de Wolff não surpreende tanto quem acompanha diariamente a política americana. New York Times, Washington Post, CNN – todas “Fake News”, notícias falsas, segundo Trump – já descreveram os mandos, desmandos  e desentendimentos na equipe de Trump. O que Wolff faz é contar muito bem essa história, numa narrativa envolvente.

O grande problema é a falta de credibilidade das fontes de Wolff. A equipe de Trump é um saco de gatos, um esfaqueando os outros pelas costas, todos se estapeando pra cair nas boas graças de um presidente altamente volúvel e despreparado. Fica claro que são essas pessoas que alimentaram o jornalista, o que dá a impressão de que muitos desses relatos podem não passar de fofoca, de parte do jogo para derrubar os rivais.

Por outro lado, esse caos contribui pro livro. Fica difícil rebater as versões apresentadas por Wolff. Por mais que Trump e cia reclamem, até agora só apontaram um erro mais grave: Wolff diz que Trump não sabia quem era John Boehner, então Presidente da Câmara. Mas Trump já havia jogado golfe com Boehner, e mencionado ele várias vezes no Twitter. Fora isso, não conseguiram refutar muita coisa…

Como é o caso de muitos livros de política, o leitor provavelmente vai terminar reforçando as convicções que já tem. Quem acha que Trump é um fanfarrão despreparado, vai encontrar aqui ampla comprovação. Mas quem acredita que Trump é perseguido pela imprensa liberal, alinhada com os políticos tradicionais, também vai encontrar aqui argumentos para a tese. Difícil é sair neutro.

Aqui no Brasil o livro será lançado no dia 29/03/2018 pela editora Objetiva, para mais informações clique aqui.

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