Graffiti Moon

Fazia tempo que não lia algo que se passasse em um dia. Esse é uma das muitas características que fazem de “Graffiti Moon” um excelente livro. O tempo da narrativa – uma única noite – faz toda a diferença para a história a ser contada, para a jornada dos personagens.

O livro de Cath Crowley é divivido em três pontos de vista. Lucy, Ed e Leo. Os capítulos de Lucy e Ed são interligados, tendo os poemas de Leo como conexão. Mas cada palavra, independente de quem as falou, foi cuidadosamente escolhida pela autora. Sua arte está nesse concerto de vozes e artes e expressão chamado livro. “Graffiti Moon” é lindo em vários aspectos diferentes e todos se completam e se conectam.

Lucy: está no último dia do ensino médio e tudo que quer é conhecer o Sombra, grafiteiro talentoso da região e um mistério para a jovem. Lucy encontrou nos muros coloridos por Sombra a expressão de alguém por quem pode se apaixonar. A jovem também é artista e trabalha no ateliê de Al, que mexe com vidro. Sim, isso é importante.

Ed: é o Sombra. Não, não é spoiler. Com problemas de aprendizagem, Ed largou a escola e foi trabalhar em uma loja de tintas. Assim como Lucy, Ed tem um mentor mais velho que também tem veia artística e que teve um impacto muito positivo em sua vida. Ed e Lucy têm um breve (breve meeeeeesmo) histórico romântico que faz toda a diferença na narrativa.

Leo: o Poeta. Sombra desenha e Leo escreve, completando a arte urbana do grafite. Leo teve na sua vida a influência da avó, que o colocou na linha e sempre leu para ele. Logo, sua arte é expressa por palavras.

No último dia do ensino médio, Lucy e amigas resolvem virar a noite e aproveitar o máximo antes de ingressarem em faculdades diferentes. Durante toda essa noite, Lucy e Ed passam muito tempo juntos e nós, leitores surtamos a cada página: ela quer encontrar o Sombra e não sabe que está falando com o próprio.

Mas Ed não conta e isso também é importante. Ele precisa fazê-la entender que ele é o Sombra e que é por ele que ela está apaixonada, mesmo se ainda não sabe. Mostrar e não contar. Conquistar e não revelar. Essa angústia e esse clima de possibilidade e perigo acompanham cada página de “Graffiti Moon”.

Além desse trio, temos outros personagens e uma trama que mistura perigo e sacrifício. Nada dramático ao excesso, mas real, possível, verossímil. “Graffiti Moon” pode estar acontecendo agora, em qualquer lugar do mundo e isso é incrível!

O livro é muito mais do que um romance de passagem jovem. É uma obra de amor à arte, à família, aos mentores que, sem saber, nos inspiram a seguirmos nossos sonhos, a sermos melhores do que fomos ontem. “Graffiti Moon” é um livro para corações sensíveis e eu me encantei desde o primeiro capítulo.

Depois da última página, passei a olhar o grafite com outros olhos. Sempre achei legal, mas agora busco a inspiração por trás das formas, a razão que levou o grafiteiro a transbordar por meio de cores e latas de tinta. E isso não deixa de ser outro mistério. Leiam e reflitam.

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