Harry Potter e a Pedra Filosofal

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O protagonista não é o garoto bonito, inteligente e perfeito. Ele é o menino inseguro de si, mal nutrido e de família partida. E tudo isso o faz imediatamente simpatizar com Potter.

O primeiro livro chama-se “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e, de cara, nada de mágico acontece. Muito pelo contrário. O livro começa descrevendo um dia como ouro qualquer. Aliás, deixe-me corrigir: começa descrevendo um dia muito sem graça e bem Trouxa (lembrando que Trouxa é uma pessoa que não possui mágica no sangue). Mas, aos poucos, a narrativa vai se transformando para fazer jus ao dia que acaba de se tornar muito especial para o mundo bruxo. O primeiro capítulo não descreve o herói da série, mas a casa de um casal Trouxa que simplesmente repudia tudo que não seja considerado “normal”. Já de cara, Rowling dá a dica que é justamente nesta casa, na casa dos Dursleys, que coisas nada normais vão acontecer.

Além de introduzir este casal – que vamos descobrir ser os tios nada bacanas de Harry – o conflito principal também é estabelecido. Bem no início do primeiro livro, Rowling conta como duas pessoas justas e boas foram mortas friamente pelo Lorde Voldemort, ou Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, o mais terrível bruxo de todos os tempos. Como um livro infantil começa com um duplo homicídio? Pois é, mas o foco é direcionado ao sobrevivente: o bebê Harry Potter, que, sem saber como, fez com que os poderes de Voldemort desaparecessem e sofreu apenas uma cicatriz em forma de raio na testa. O grande herói da saga perde os pais no primeiro capítulo do primeiro livro e precisa lidar com a responsabilidade de seu “ato” desde o berço. Ele fora marcado para todo o sempre.

O diretor de Hogwarts, e amigo do casal falecido (Lily/Lílian e James/Thiago), Alvo Dumbledore, levou o bebê Harry para a casa dos tios, aqueles Trouxas do início do capítulo. Pode parecer sacrilégio colocar um bebê novinho na casa daquelas pessoas, mas não é que o moleque cresce com caráter e valores corretos? Tudo isso vem de sangue, já que os tios são sinistramente malas! Bem, continuando, dez anos de abuso psicológico e físico (até frigideira já voou no moleque) se passam até que Hagrid, um meio-gigante gente boa, vem buscar Harry para ir para Hogwarts. Somente aí que o garoto descobre que tudo que fazia quando estava zangado ou com medo era magia! Ele era um bruxo!

De um dia para o outro, Harry descobre não somente sobre a existência de um outro mundo, mas também sobre o seu papel nele. Ele é “O Menino que Sobreviveu”, o salvador do mundo bruxo, que o recebe de braços abertos. Obviamente que nem tudo são rosas e Harry logo fica sabendo sobre a mania de algumas famílias (como as de Draco Malfoy, “colega” de classe de Harry) se acharem superiores a outras só por não terem se misturado com Trouxas. Harry então encontra dois amigos que se tornarão inseparáveis: Rony e Hermione. Ele vem de uma família sem tantos bens materiais e ela de uma família Trouxa, mas é a bruxa mais inteligente da idade dela! Os três ingressam em Hogwarts, onde os alunos são divididos em quatro Casas: Grifinória (onde ficam os corajosos), Sonserina (os ambiciosos), Lufa-Lufa (os esforçados) e Corvinal (os mais acadêmicos). O trio fica na Grifinória já que os alunos são escolhidos pelo Chapéu Seletor de acordo com suas personalidades. Já na Sonserina ficou Draco e o Professor de Poções, Severo Snape, ex-arquiinimigo do pai de Harry.

Durante o decorrer do ano, e do livro, o leitor se encontra em um universo praticamente paralelo ao nosso (ou seja, Trouxa) onde corujas trazem o correio e unicórnios não somente existem como são considerados sagrados. Harry não somente enfrenta perigos, mas descobre amizades verdadeiras como nunca havia tido. O protagonista não é o garoto bonito, inteligente e perfeito. Ele é o menino inseguro de si, mal nutrido e de família partida. Mas mesmo assim, mesmo com todas as dificuldades já enfrentadas e que ainda estão por vir, Harry tem caráter, tem boa índole e é apenas um garoto como qualquer outro, embora sua cicatriz diga o contrário. Isso conquista o leitor. Os personagens (principalmente Harry) são de fácil identificação com o leitor que está passando pela mesma idade ou lembra como foi ter onze anos.

A narrativa tem ótimo ritmo e detalhes o suficiente para enriquecer a história, mas não para deixá-la arrastada. A relação entre os personagens é complexa assim como seria entre pessoas fora da página e quando o final do primeiro livro chega, sabemos que isso tudo é apenas o início.

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