Harry Potter Forever

O ano é 2000, estava em busca de algo em inglês para ler, não buscava um romance adulto, queria algo mais simples mesmo. Essa minha busca me levou livraria Malasartes onde comprei um paperback  de “Harry Potter e a a Pedra Filosofal”, edição inglesa. Foi assim que o universo de JK Rowling entrou na minha vida, não sabia nada sobre o fenômeno que já se formava, muito menos que eu iria me apaixonar por aquela saga.

Li o primeiro livro com bastante rapidez, era impossível parar de lê-lo. Voltei a livraria e, de uma vez só, comprei os outros dois livros que já tinham saído. Me apaixonei imediatamente por “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, meu preferido até hoje. Comprei o quarto livro meses depois, logo depois que foi lançado na Inglaterra, foi uma compra simples na Da Vinci, sem evento, nem espera até a meia noite para a compra. Demorei bastante para ler “Harry Potter e o Cálice de Fogo” em parte porque acho meio chata a Copa do Mundo de Quadribol e tive que ter algumas tentativas até engrenar de verdade no livro.

Todo esse preâmbulo ou, como se diz em jornalismo, nariz de cera, é só uma pequena introdução de como fui seduzida pelo universo potteriano. Os filmes e, principalmente, uma maior difusão da internet fizeram com que toda essa calma que tive na compra dos quatro primeiros livros começassem a mudar para o restante da série. Essa experiência de ficar até meia noite na livraria para comprar o novo volume, ir a pré estréia com fãs, debater os livros, tudo isso foi maravilhoso. Acho que Harry foi a primeira conversa sobre livros que nós aqui do CdL tivemos, pode-se dizer que Rowling contribuiu um pouco para a existência do blog.

O último filme estréia essa semana e com isso um mar de artigos, matérias e posts estão sendo escritos sobre essa saga. Tem os mais diferentes assuntos, as mais diferentes analises, tentam explicar o fenômeno que é Harry Potter, enfim tem de tudo. Não tenho como negar que a saga fica bem mais sombria do quarto livro em diante e que isso coincidiu com tempos bem obscuros na realidade, o mundo pós-11 de setembro foi um período de medo, incerteza, guerra, discursos do tipo “se você não está do meu lado, está contra mim”. Todos esses elementos estão na metade final da série e tendo vivido esses anos é impossível não ver uma conexão, mas sou um tipo de leitora que tenta pensar em tudo isso só pós-leitura e o mínimo possível. Não quero perder o prazer e a magia que é se transportar para outro lugar, fantástico ou não, por algumas centenas de páginas.

Muito está sendo dito de que a saga chega ao fim com a estréia do último filme. Discorda tanto dessa afirmação. Livros não morrem. Estarão sempre lá na estante, agora com o Pottermore na rede, vão encantar novas pessoas, novas gerações. Os novos fãs, não tenho dúvidas que eles virão, não terão passado pela espera da meia-noite para comprar um novo livro e, provavelmente, verão Harry , Ron e Hermione com a cara de Daniel, Rupert e Emma. Poderão ler os sete livros sem ter que esperar anos entre eles, terão uma experiência diferente e junto com todo mundo que foi e será seduzido por Harry Potter mostram que não tem um fim, apenas uma nova etapa, provavelmente uma mais calma, sem tanto frenesi, sem pré estréia e Londres com fãs dormindo por dias em Trafalgar Square, mas mesmo assim com uma longa, eterna, vida a sua frente.

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