Hebe – A Biografia

Estava no final da faculdade, últimos períodos e não sabia sobre o que fazer a minha monografia de final de curso, sabia apenas que queria falar sobre televisão, fiquei um tempão tentando achar um tema e aí liguei no SBT em uma noite de segunda-feira e o tema estava escolhido: Hebe. Passei meses pesquisando a trajetória dela, entrei em contato com o empresário, mandei perguntas que me disseram que teriam respostas e elas nunca chegaram, uma tristeza que tenho. Com esse histórico com a apresentadora quando a biografia dela escrita por Artur Xexeo chegou na minha mão eu devorei.

Hebe sempre teve o sobrenome Camargo atrelado mesmo que no Brasil ao se pronunciar apenas Hebe todos já sabem de quem estamos falando. É essa personalidade da TV, essa loira que tinha uma coleção de joias invejável e que reunia no seu sofá todas as mais diferentes personalidades que está no livro de Xexeo. Não é um livro para se conhecer a Hebe por inteiro e sim um para deixar registrado a importância dela na história da TV brasileira.

Não há grandes revelações ou grandes momento no livro e isso não é um problema. O que se expõe nas páginas é a trajetória de uma menina do interior de São Paulo que começou a cantar em shows de calouros porque dava mais dinheiro do que trabalhar como doméstica e que se transformou em um ícone televisivo. Hebe passou anos cantando e esbanjando cabelos pretos. Nunca foi um sucesso, seus discos nunca venderam muito, suas músicas nunca estouraram, foi só com a chegada com da TV que Hebe se estabeleceu como a figura emblemática que todos conhecemos.

Em um mundo dominado por homens, até hoje por sinal, o dos programas de auditório, Hebe se estabeleceu nos anos de 1960. Sua gargalhada, suas tiradas (“que gracinha”, “linda de viver”) e até as suas gafes foram conquistando os telespectadores e estabelecendo uma audiência cativa que a acompanhou até a morte. É essa história de sucesso que é reportada no livro. Nas páginas temos a Hebe apresentadora e poucas pinceladas da Hebe Maria Monteiro de Camargo. É uma viagem pelos primórdios da TV no Brasil e como ela foi se modificando, tudo isso sob a ótica da carreira da biografada.

Um dos elementos mais citados no livro é o sofá, Hebe recebia seus convidados e os fazia interagir sentados naquele sofá. Uma das coisas que sempre me chamaram a atenção é como programas de auditório comandado por homens é sempre apresentado de pé, como os convidados são entrevistados de pé e raramente permanecem no programa até o final. Não era assim na Hebe e não é assim nos programas de auditório comandado por mulheres na TV brasileira. Hebe fazia todos ficarem até o final do programa, todos muito bem acomodados no sofá. Pense em como é exatamente essa a dinâmica de “Conversa com Fátima Bernardes”, por exemplo. Era nesse momento, com pessoas bem diferentes, que Hebe mostrava toda a sua genialidade. Ela conseguia incluir nas conversas todos que estavam em seu sofá e os fazia interagir entre si e com os temas. Essa habilidade lhe garantiu o título de rainha da TV, que como conta Xexeo ela ganhou em votação popular.

Talvez a maior importância dessa biografia seja nos fazer lembrar de Hebe e tudo o que ela representou para a TV, seja fazer novas gerações que tiveram pouca oportunidade de vê-la comandando com maestria o palco busquem conhece-la melhor. Hebe merece todas as homenagens e reverencias.

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