Imaginação contaminada

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Filmes que contaminam a imaginação do leitor.

Sou daquelas que lê o livro e vê o filme, algumas vezes até vê o filme e depois lê o livro. Adoro a experiência de ver ganhar vida o que li, de ver outra interpretação da historia que li. Esse hábito gera dois problemas: o primeiro é a revolta com adaptações medíocres como de “Percy Jackson”, “Um Dia” ou “O Tempo e o Vento“; o segundo é a contaminação da minha imaginação, é a minha incapacidade de imaginar os personagens e os cenários diferentes daqueles criados pelo cinema. Em certos casos essa contaminação é completa, em outras parciais e, em alguns casos, filme e livros transformam-se em experiências únicas.

Os casos de contaminação da imaginação tem dois lados. Tem os livros que li depois de ver os filmes. Em “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”, que li depois de ter visto o universo de Tolkien criado por Peter Jackson, a situação é de contaminação total. Valfenda, o condado, tudo, são aqueles cenários criados por Jackson na Nova Zelândia, não tem jeito. Frodo é Elijah Wood, Galdalf é Ian McKellen, sou incapaz de visualizar algo diferente do que os filmes me apresentaram. É um caso crônico de contaminação, daqueles que não tem solução mesmo.

Tem a situação da contaminação parcial. O caso mais emblemático é o de “E o Vento Levou”. Li o clássico de Margaret Mitchell depois de ter visto muitas vezes a Scarlet O’Hara de Vivian Leigh. Logo nas primeiras páginas ficou claro pra mim que seria impossível imaginar Scarlet diferente de Leigh, a descrição da personagem é exatamente a Scarlet do cinema. Já Clark Gable não é Rhett Buttler, não consigo nem entender como escalaram ele para fazer esse papel. Isso fez com que o casal principal do livro se transformasse em um misto de realidade com imaginação. Uma situação que ocorre comigo em muitos outros livros.

Quando leio o livro antes de ver o filme já vou com os personagens e cenários montados na minha cabeça e é bem mais difícil a contaminação, mas há momentos inevitáveis como em “O Leitor” e em “Foi Apenas um Sonho”, dois livros que li antes de saber das adaptações para o cinema. Porque tem esse tipo de contaminação também, a que você vê os atores escalados e começa a imagina-los nas situações do livro mesmo antes de ver o filme. Voltando a “O Leitor” e “Foi Apenas um Sonho”, talvez seja porque Kate Winslet é uma ótima atriz, não sei, mas o fato é que mesmo tendo imaginado tudo, os personagens, os cenários, as situações, hoje quando lembro do livro penso nas cenas do filme e não no que imaginei.

Esses casos de contaminação pós leitura também pode ser parcial. É o que aconteceu com “Harry Potter”, Daniel Radcliffe e Emma Watson não são os meus Harry e Hermione, mas Snape é, definitivamente, Alan Rickman. Tudo fica um pouco confuso nessas misturas na minha cabeça, mas essa contaminação parcial faz possível uma separação entre a experiência do filme e do livro.

O que deveria acontecer sempre é o que ocorre com a série de livros e filmes de “Jogos Vorazes”. Quando não tem contaminação alguma entre livro e filme e que gosto dos dois. Li os livros muito antes dos filmes e da escalação do elenco. Jennifer Lawrence é uma ótima Katniss no cinema, só não é a minha Katniss do livro. O filme é uma ótima adaptação, fiel, daquelas para deixar fãs bem felizes, mesmo assim nada do que vejo na tela é igual ao que imaginei e essa criação não é afetada pelo que vejo. Quando estou falando sobre o filme imagino JLaw e cia, quando falo do livro são outras imagens que surgem e isso não é um problema. Isso faz com que consiga apreciar o livro e o filme de formas independentes e únicas, como deveria ser. Infelizmente isso nem sempre acontece. É meu sonho que isso tenha uma constância maior na minha cabeça, mas está bem difícil de acontecer e eu testo a toda a hora. “Ender`s Game” já está na mão para ser lido antes de ver o filme.

Um pensamento em “Imaginação contaminada”

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