Jaime Bunda, Agente Secreto

Jaime-bunda

Pepetela entrou no meu radar meio por acaso, comprei um livro dele (“Predadores”) porque era bom para carregar na bolsa e acabei adorando. Quando quis testar a entrega de livros físicos da amazon brasileira resolvi seguir os conselhos do meu amigo Rodolpho e comprar “Jaime Bunda, Agente Secreto” (Tenho que confessar que o nome contribuiu para a compra). O livro ficou um tempão na estante Tsundoku e, incentivada pelo desafio de leitura aqui do CdL, resolvi lê-lo.

Como diz o título, Jaime Bunda é um agente secreto, um gente secreto do governo de Angola. Na verdade Jaime é um estagiário que só conseguiu o emprego com a ajuda de um primo que tem um alto cargo no departamento. Jaime é fanático por livros policiais americanos, acha os europeus muito atrasados, e, quando é designado a investigar o assassinato de uma adolescente, resolve colocar em prática tudo o que aprendeu nos livros. Sua dedicação ao caso levam Bunda a se embrenhar em uma trama política que envolve contrabando internacional.

A trama do livro é interessante e cheia de pequenas reviravoltas mas não foi isso que me encantou. A forma com que a história é construída, o humor e a ironia que impregnam o texto é que são o verdadeiro trunfo do livro. A forma com que Pepetela analisa a sociedade angolana, a sua corrupção, o privilegio das elites, as pequenas contravenções, tudo é tão familiar que chega a ser angustiante. Muitas das passagens do livro poderiam ser aplicadas facilmente a sociedade brasileira, somos povos irmão não somente na língua.

Minha total ignorância sobre a história de Angola dificultou um pouco o entendimento de certas ironias, nada grave, só me fez ver o meu total desconhecimento da história africana (algo que pretendo corrigir). É incrível como o português de Angola se assemelha ao nosso, é mais próximo do que o de Portugal, isso sempre me chama atenção. Me surpreende povos com tanto em comum serem tão distantes, seus autores serem tão desconhecidos por aqui, acho que o inverso não é verdade, pelo menos todos os autores africanos que já li em algum momento fazem referencia a algum aspecto da cultura brasileira, aqui parte da trama é passada no Roque Santeiro, o mercado em Luanda com nome inspirado na novela global da década de 1980.

Quando terminei de ler as aventuras do agente Bunda descobri que ele tem um segundo livro dedicado a si, já coloquei na lista para um futura leitura. O texto de Pepetela é divertidíssimo, recomendo a leitura.

PS. Já risquei da minha lista um dos 12 itens do desafio de leitura, estou dedicada a causa.

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