Jantar Secreto

“Bom apetite” diz a dedicatória do Raphael Montes no meu exemplar de “Jantar Secreto”. Achei espirituoso, pois sabia desde sempre que o livro tratava de canibalismo. Posso dizer também que me deliciei com cada página. Calma que eu explico.

Raphael Montes tem uma capacidade de contar uma história de modo cinematográfico sem ser chato, repleto de adjetivos ou descrições. Seu equilíbrio na narrativa é excelente e é fácil visualizar cada cena narrada por suas palavras bem escolhidas. Raphael também é mestre em criar personagens extremamente falhos e de fácil identificação (ou nós os entendemos ou os odiamos, mas todos são críveis).

Dito tudo isso, “Jantar Secreto” traz a história de quatro amigos, sendo ela narrada por um deles, Dante. Todos rapazes do interior que se mudam na época da faculdade para o Rio de Janeiro para ingressar em seus respectivos cursos e vencer na vida. Só que a vida é dura e nada fácil e sabemos disso, não é mesmo? Então a situação chega a tal ponto que os meninos precisam organizar um jantar secreto para conseguir dinheiro. Mas o menu é exótico e ….. humano.

Raphael pegou o enigma da gaivota (que eu também conheci na faculdade e é explicado no livro, então não vou mencioná-lo aqui) como ponto de partida para contar uma história forte, verossímil e extremamente cruel, violenta e envolvente. Impossível de interromper, a leitura de “Jantar Secreto” tem um ritmo excelente e seus ganchos e reviravoltas são muito bem planejados e executados.

Ah e vale contar que não é para os fracos de estômago ou aqueles que se impressionam facilmente. Parte do talento de Raphael é não medir palavras, então prepare-se para muita violência e receitas de fazer a boca salivar … o que também é assombroso dado o tipo de carne no menu.

Leiam e, bem, bom apetite!

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