Julia Quinn

Conheci a escrita de Julia Quinn no primeiro voo da ponte-aérea. Eram seis da manhã e lá estava eu indo para um dia de reuniões em Brasília. Comigo carregava um exemplar de “O Duque e Eu” que tinha que ler para o Clube do Livro Saraiva. Depois da raivinha que senti de Daphne (explico na resenha), minha amiga – Mariana Fonseca, do Julia Quinn Brasil (https://www.facebook.com/juliaquinnbrasil?fref=ts) – disse para eu não desistir da Julia, que os outros livros eram excelentes. E, por Deus, como ela estava certa!

Esse post vem em ótimo momento. Como o nosso blog diz, escrevemos sobre o que a gente gosta, quando a gente pode. Infelizmente, meu trabalho consome parte muito grande do meu tempo, e preciso escolher entre ler mais ou parar para escrever sobre o que li. Eu escolho ler, claro! Então passei por mais de 10 livros escritos pela Julia Quinn – seis consecutivos! – antes de sentar para conseguir escrever esse post. Mas com a oportunidade incrível de ser mediadora de um bate-papo com ela e Carina Rissi (outra autora cuja escrita me conquistou), não podia mais guardar apenas para mim a maravilha que é a escrita de Quinn.

A estratégia

Então vamos lá. Primeiro preciso dizer que os romances que li (não vou dizer que todos, porque não li toooodos os escritos por ela, ok?) são previsíveis. Isso é ruim? De jeito nenhum! Desde a sinopse, sabemos quem vai casar com quem, mas o delicioso é descobrir como isso vai acontecer. E nisso, Quinn é surpreendente. O interessante dessa “estratégia” é que ela é excelente para criar a expectativa. Como sabemos desde o início quem deve ser o casal apaixonado, toda vez que eles se encontram, nosso coração bate um pouquinho mais rápido. E isso é ingrediente que faz o nosso vício em Quinn crescer.

Muitos comparam Julia Quinn com Jane Austen, chamando-a de “Jane Austen contemporânea”. A própria Quinn é contra esse “rótulo”, pois, segundo ela, as duas são bem diferentes. Eu concordo. Ao meu ver (e olha que sou apenas uma leitora e não perita, ok?), Austen escrevia um romance de costumes, ou seja, ela narrava sobre o seu tempo, sua sociedade, e seu tom crítico muito único foi uma das razões que a fez se destacar. Claro, isso e o fato de que os livros são incríveis e eram completamente pioneiros para a época. Mas Julia Quinn é diferente.

Pelo que li sobre a autora e pelo que li de sua obra, Quinn é uma escritora de romances de época porque esse período é o que a encanta. Seu foco é o romance envolvido e ponto. Até porque não precisa ser mais do que isso. Mas vou além e digo que, de sua própria forma, Julia Quinn consegue dar poder às suas personagens femininas em uma época em que elas não tinham. E ela consegue fazer isso de forma coerente e apaixonante. Não é uma crítica ao tempo em que se passa a história, mas sim uma homenagem à nostalgia romântica com toque de contemporaneidade disfarçada. Até onde pude observar, essa “fórmula” é o toque perfeito para capturar o coração de mulheres de todas as idades.

Os livros

Quando li “O Duque e Eu”, não estava familiarizada com romances de época. Acho que tinha aquele pré-conceito bobo de que seriam cafonas. Mas não faz parte do amor ser um pouco cafona? E foi dando uma chance a Quinn que ela sequestrou meu coração e eu me rendi sem muita luta. Mas digo e repito: o que Daphne fez não se faz e eu não a perdoo por isso! #prontofalei #aiaiai

Continuando, o segundo livro que li foi “O Visconde que me amava”. GENTE! O que é Anthony Bridgerton? Acho que ele é o meu favorito da família (embora tenha uma queda por Colin e ame a história de Gregory também). Anthony é o primogênito da família que dá o nome a uma das séries mais conhecidas de Julia Quinn. No Brasil só foram lançados cinco dos oito (por enquanto), mas eu já li todos esses e mais alguns. Vou colocar a lista dos que já li no final do post com os nomes em inglês e português (os que já foram publicados pela Editora Arqueiro) para facilitar para vocês.

Bem, a história de cada livro dos Bridgertons pode ser simplificada assim: um personagem masculino apaixonante que não quer casar. Uma personagem feminina sensacional que ou quer casar, mas não se apaixonou por ninguém ou não quer casar (e se apaixona) ou quer o rapaz que, por sua vez, não quer casar. Parece chato e repetitivo, mas não é nem um nem outro! É absurdamente viciante!

Não vou abordar cada livro que li aqui porque eu me repetiria ao dizer que é impossível parar de ler. Vocês também cansariam de me ver escrever a frase “me apaixonei por esse personagem”, porque, gente, é IM-POS-SÍ-VEL não se apaixonar pelos personagens escritos por Julia Quinn. Desculpe, não dá!

No lugar de escrever sobre cada livro, opto por explicar o contexto da narrativa de Julia que me encantou: em cada livro, vi um humor típico da época, porém mantido atual. Vi também personagens resistindo se entregar ao amor, a paixão e a delícia que é acompanhar essa luta. Assisti a personagens femininas terem voz, terem força e poder de decisão, mesmo que limitadas à época e não serem aquelas personagens manipuláveis e fracas que teimam em pipocar por aí. E, mais do que tudo, vi uma pesquisa histórica bem feita para tecer o background das histórias, uma narrativa única que une muitas das séries e acaba criando uma tapeçaria literária para ninguém botar defeito!

Julia não é Jane

A escrita da Julia Quinn é apaixonante, viciante e uma delícia! No início, tive medo de ser bem “mulherzinha” e açucarado e cafona. E estava certa, mas pelos argumentos errados. Mulherzinha porque é escrito por uma mulher e para mulheres (não que homens não possam ler, longe disso. Mas o público-alvo é outro) e trata de romance, mas não de uma forma condescendente como esperava. Que bom que estava errada! É açucarado e cafona em alguns momentos (mais o primeiro do que o segundo) porque trata de amor idealizado, romântico e isso vem com o território. E é uma delícia ler tudo isso e muito mais!

Hoje, já li mais de dez livros de Julia Quinn – dos que me recordo de cabeça – e já estou com uma lista longa no Kindle me aguardando. Sempre que termino uma leitura, intercalo com um livro de Quinn. O desafio é esse “um” não se transformar em três!

Mas Julia Quinn não é Jane Austen. Julia é Julia! E que coisa boa poder ler os livros de ambas e apreciá-los pelas obras diferentes que são!

Lista de leitura

Abaixo, listei os livros que li de Julia Quinn. Pelo menos os que eu lembro! Coloquei alguns comentários do lado, mas não tem spoiler.

The Duke and I (O Duque e Eu) – A história vai bem e é linda até uma parada que a Daphne faz e que eu não sei como o Simon a perdoou. Acho que eu é que sou rancorosa demais!

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The Viscount Who Loved Me (O Visconde Que Me Amava) – Anthony é o meu Bridgerton favorito e tem uma cena aqui que me deixa sem fôlego. Ah, sim, Julia Quinn escreve cenas picantes como ninguém!

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An Offer from a Gentleman (Um Perfeito Cavalheiro) – Benedict é o mais “safadinho” da família e eu o adoro por isso. A cena da “descoberta” da donzela misteriosa (para que isso não é spoiler!) é sensacional e dá vontade de gritar!

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Romancing Mister Bridgerton (Os Segredos de Colin Bridgerton) – Um dos meus preferidos da série! Colin é incrível e a personagem de Penelope é muito bem construída em toda a série e seu primor está aqui.

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When He Was Wicked (O Conde Enfeitiçado) – Esse eu senti ser um livro mais “maduro” porque os personagens são mais velhos e passam um certo tempo separados. Senti demorar para engrenar, mas tão romântico quanto os outros!

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To Sir Phillip, With Love (Para Sir Phillip, Com Amor) – ADORO a Eloise! Essa é uma moça independente e meio “da pá virada”. E o Sir Phillip pode ser meio inadequado, mas o relacionamento dos dois é de fazer o rosto corar! Show!

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It’s In His Kiss (Um Beijo Inesquecível) – Hyacinth é mucho loka nessa história e sinto muita angústia com a história de Gareth. Foi o livro que senti ser mais lento da série, mas tem momentos bem picantes e outros muito bonitinhos!

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On the Way to the Wedding (A Caminho do Altar) – Acho que esse está entre os meus preferidos de Quinn! Ele tem muito humor, um romance que é lindo, lindo, lindo e a narrativa é mais acelerada (não sei se de propósito ou porque senti o anterior um pouco mais lento). Gregory é TU-DO de fofo e Lucinda é uma das moças mais bem escritas por Quinn nessa série (embora adore de paixão a Lady Whistledown – a persona e a verdadeira).

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Everything and the Moon – Esse foi o último que li e não é da série Bridgerton. Gente, que sofrimento! Sabe aquele livro de encontros e desencontros? Exatamente! Muito lindo (claro!), mas sofriiiiido. E MUITO engraçado! Acho que esse é um que equilibra muito bem o lado feminista de Quinn com o lado romântico. E sim, é possível ter ambos em uma pessoa só! Adorei demais essa leitura!

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What Happens in London – Esse é adorável, mas não mega marcante. Gosto do personagem do Harry e Olivia passa a ser muito interessante, mas achei o livro só fofinho. Mas a cena em que o Sebastian (que é protagonista do livro que mencionarei abaixo) interpreta a cena de um certo livro é hi-lá-ria. Eu ri MUITO alto!

Ten Things I Love About You – Agora, esse é uma delícia! Eu sei que estou sendo repetitiva (como disse que seria), mas Sebastian Grey é um dos personagens masculinos mais encantadores e engraçados já escritos por Julia (e lidos por mim. Como disse, não li todos os livros dela ainda). Esse tem uma revelação bombástica e que não posso mencionar, mas vai fazer você rir muito, principalmente se já tiver lido outros livros da autora.

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Just Like Heaven (Simplesmente o Paraíso) – Esse é também um dos meus favoritos! A história de Marcus e Honoria é a coisa mais romântica e tudo de algodão doce e arco-íris e apaixonante do MUNDO. E não, não é um livro boboca ou superficial. Ele traz muito a questão da lealdade, de ficar ao lado da pessoa com quem se importa e defendê-la do que for necessário. Lindo demais!

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Julia no Rio

Como disse no início desse post, tive o privilégio de ser escolhida como mediadora de mais um bate-papo com autoras incríveis! Dessa vez, o encontro será na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no dia 6 de setembro, às 14h e as autoras são nossa querida Julia Quinn e apaixonante Carina Rissi. Acho que o Sr. Ian Clarke deveria tomar um chá com os Bridgertons, hein? Confira os dados do evento aqui (https://www.facebook.com/events/874199845963010/) e vamos suspirar juntos!

E olha que lindo! O evento também está destacado no site oficial da Julia!

2 pensamentos em “Julia Quinn”

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