Julieta Imortal

 

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Traição. Foi essa a sensação que tive durante toda a leitura de “Julieta Imortal” (Ed. Novo Conceito). Na narrativa de Stacey Jay, o casal mais famoso do mundo – Romeu e Julieta – não teve uma história tão linda como Shakespeare conta. Este, aliás, foi influenciado por Romeu e é odiado por Julieta, por ter imortalizado a tragédia do casal como uma grande história de amor. Que é mentira.

“Julieta Imortal” traz um toque nada delicado de sobrenatural à história de Romeu e Julieta. No livro, Julieta foi morta por Romeu que, ao sacrificar sua alma gêmea, se tornara imortal e passara a integrar a galera do mal chamada de Mercenários. Julieta, quase morrendo, foi “salva” pelos Embaixadores da Luz, que têm o trabalho contrário ao de Romeu: eles protegem as almas gêmeas. E, durante 700 anos, Julieta reencarna em corpos emprestados enquanto Romeu volta em falecidos. Complicado? Só um pouquinho, mas ao longo do livro dá para entender.

Mas desta vez, as coisas mudam. Desta vez, outra pessoa entra na “vida” de Julieta, que a faz questionar o amor, suas escolhas, até mesmo Romeu.

Narrado pelo ponto de vista de Julieta – com algumas intervenções de Romeu – “Julieta Imortal” arrasta em alguns momentos e é impossível de largar em outros. O toque – que é mais um tapa – sobrenatural não me agradou muito, mas não deixa de ser interessante. Mas me senti traída. “Romeu e Julieta” foi a primeira obra de Shakespeare que eu li, ainda na escola, e me apaixonei. Era só a professora dizer uma fala e eu sabia quem a tinha dito, para qual personagem e em qual circunstância. Então, ao ler “Julieta Imortal” me senti traída. Romeu nunca foi meu preferido – sempre tive uma queda por Benvolio e me amarrava em Mercutio -, mas ele é o par dela! Ela é Team Romeo, cara! Nunca teve dois gatinhos para Julieta! E a forma que Stacey Jay narra os sentimentos de Julieta sobre Romeu é de se partir o coração. E eu me senti exatamente assim.

O final – que eu não vou contar, DUH! – é coerente, por mais que force um pouco a barra. Aliás, a barra é forcada durante o livro inteiro, mas a vontade de saber como essa loucura vai terminar é maior do que a sensação de absurdo.

“Julieta Imortal” é diferente e romântico, mas pode não agradar a todos. Mas até ai, qual livro agrada?

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