Laços

Tem livros que me perseguem, que a cada lugar que eu vou alguém me fala deles, as pessoas mais dispares me indicam e recomendam. Quando isso acontece é 100% de certeza de que é uma leitura imperdível. “Laços” de Domenico Starnone (tradução de Maurício Santana Dias) é um desses livros. Olha que todas as indicações não vieram com o papa “parece Elena Ferrante”.

A história do adultério de Aldo no anos de 1970 e como isso afeta Vanda, a esposa, Anna e Sandro, os filhos é o que é contado em pouco menos de 150 páginas. Três narradores compõe o quadro completo da traição e suas consequências. Começamos com as cartas de Vanda cobrando explicações de Valdo, de suas atitudes, tentando desconstruir as explicações dadas pelo marido. São cartas repletas de sofrimento e rancor, feitas para ferir. É um inicio forte que já mostra que não será uma leitura fácil.

A o segundo terço é Aldo, 30 anos depois de ter abandonado a família, relembrando os 12 anos de casamento, o encontro com Lidia, seu amor por Lidia e a sua volta a família. Ele vai dando novas cores ao que é contado nas cartas, vai criando suas justificativas, vai lembrando quem era, quem queria ser e quem se conformar em se tornar. É um relato melancólico de alguém que desistiu de um amor e se conformou em voltar para um lar que não tinha mais conserto assim como a casa revirada que encontra ao voltar das férias de verão.

No último terço temos a voz de Anna, a filha marcada pelo adultério e suas consequências. Há muita raiva no quase desabafo que mostra todas as cicatrizes que a separação dos pais e sua reconciliação deixaram. É aqui também o único deslize de Domenico na narrativa, no diálogo entre Anna e Sandro ele resolve explicar o título do livro e suas implicações, desnecessário, o leitor é capaz de entender a metáfora. Isso não prejudica em nada a leitura.

“Laços” está na categoria de pequenos livros que enredam o leitor e que precisam mesmo ser indicados para todos.

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