Ler não é o mesmo que estudar

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Das diferenças entre se jogar nos livros para divertir e para estudar…

Nos últimos dois anos eu passei muito tempo da minha vida lendo muito, mas muito mesmo. Só que praticamente não toquei em um mísero livro por diversão. Terminei o mestrado em abril desse ano, e nos tempos de curso eram tantos textos e livros acadêmicos que eu estava suplicando por qualquer livro infantil de banho ou aqueles de colorir, só pra distrair um pouco a cabeça. Meu nariz vivia enfiado em livros, mas era trabalho, não era lazer.

O que me leva uma das minhas teorias: ler e estudar não são necessariamente a mesma coisa. As pessoas viviam comentando: “está fazendo mestrado, né! Deve estar lendo muito!”, então, sim e não. É claro que para estudar você precisa ler, e os dois demandam atenção e dedicação, mas a vivência é bastante diferente. A necessidade de entendimento completo, fazer fichamento, marcações, entender completamente, memorizar, tudo isso pode tornar o estudo um pouco enfadonho. Minha maior dificuldade nos “finalmentes” do curso era continuar motivada a ler. Eu que sempre amei tanto os livros, olhava para os livros-texto e me sentia cansada, desanimada, talvez exatamente por ter ficado por muito tempo lendo só sobre o mesmo assunto.

Eu não sei vocês, mas a verdade é que, para mim, ler uma trama (seja ficcional ou não) ou ler um livro-texto são experiências completamente diferentes. Desde a época da escola, mesmo os livros indicados nas disciplinas de literatura, aqueles “obrigatórios”, “que caem na prova”, custavam a me atrair. Tenho muita dificuldades de ler por obrigação, e as letras custam a me cativar quando o caso é esse. Estudar é necessário, e eu não estou aqui falando sobre como estudar é chato e vocês devem detestar, de forma alguma. Eu amo estudar, não consigo ficar longe de um curso por muito tempo, e vivo lendo livros acadêmicos só para aprendizado pessoal realmente. Só estou argumentando que estar consciente de que ler por lazer e ler para estudos não é a mesma coisa, torna ambas as experiências mais produtivas

Falei na minha coluna anterior sobre como eu acredito que cada livro que lemos nos acrescenta algo na vida. Os livros acadêmicos, os textos da faculdade, os calhamaços didáticos, os obrigatórios de literatura, todos eles são muito muito importantes. E, para mim, sempre precisaram de uma dedicação ainda mais especial, para que os ensinamentos não fossem apenas decoreba, mas que realmente eu assimilasse aquelas palavras de forma mais completa. O mestrado me “privou” de livros por diversão por uns bons dois anos, mas abriu a minha mente de uma forma que eu me senti saindo dele com uns dez anos a mais de experiência e visão de mundo, mudou a minha relação com a minha própria . Não me arrependo, não volto atrás, faria tudo de novo. As noites viradas escrevendo dissertação, os artigos lidos a qualquer hora em qualquer lugar, os vários dinheiros gastos em livros que hoje estão cheios de post-its, anotações, páginas dobradas e marcações em neon (coisa que eu não faço nos meus “de diversão” de jeito nenhum). Mas quando tudo acaba, tudo que eu mais quero, pelo menos por algum tempo é pegar um de meus Harry Potters e não largar até meu cérebro voltar a ficar recheado apenas de feitiços e teorias sobre personagens de um mundo ao qual eu jamais pertenceria.

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