Literatura safadinha

Grey, Gabriel, Gideon. Estariam todos em busca do ponto G ou terão eles o mapa da mina?

sylvia destaque

“A vida é bem melhor quando se está tendo ótimo sexo”

Como não concordar com a afirmação da autora Sylvia Day, responsável por livros como “Toda Sua” e “Para Sempre Sua”.

Já li alguns livros do gênero que delicadamente apelidei de “Literatura Safadinha”: passei pela trilogia “Cinquenta Tons de Cinza” (Intrínseca), pelo Inferno e Julgamento de Gabriel (Arqueiro), mas ainda não sou “Toda Sua” (Companhia das Letras). A razão para ler esses livros foi pura e simples: para saber por quê raios a mulherada estava tão insandecida com eles.

Para não me repetir (a resenha de alguns estão aqui e aqui), resumo minha experiência com: livros superficiais, com cenas quentes bem escritas e a possibilidade de poder ser bem melhores, mas sem chegar lá por ou preguiça de autor e/ou editor ou porque simplesmente não precisavam para atingir seu objetivo.

Mesmo assim, me aventurei no “Encontros com Autores” da Bienal do Livro no Rio de Janeiro para ouvir o que Sylvia Day tinha para dizer. Fiquei lá na última fila, só observando. Um grupo falante ao meu lado perguntou qual era o meu preferido e fui retribuida com olhos do tamanho de pratos quando respondi que não havia lido nada dela. Pois é. Acho que era a única ali.

Com bastante atraso, Sylvia Day subiu ao palco e foi ovacionada. Com cabelo longo demais para sua idade (mas muito lindo!) e com trajes que pareciam ter sido tirados de uma de suas histórias (vestido curto e muito decotado e botas até quase o joelho), Sylvia foi simpática e até sarcástica.

As perguntas foram as mais variadas e o bate-papo foi bem legal. O interessante é que realmente tive vontade de ler os livros dela porque ela pareceu coerente, envolvida com seu trabalho – até porque não está se apropriando da moda: ela escreve gênero safadinho há mais de dez anos!

Para mim, o gênero erótico era algo que só pertencia à Bianca, Julia, Sabrina, e tantas outras que habitam – até hoje – as bancas de jornal. Mas com as chibatadas de Grey, as portas foram abertas para tornar esse gênero mais “respeitável” para ser chamado de “literatura”. Há controversas, graças a Deus, mas é inegável que o caminho da banca para a livraria foi feito rapidamente desde os cinquenta tons e agora os narizes não são tão torcidos ao redor do leitor quando este é pego em público lendo livros como “Toda Sua”. Mas já Bianca, Sabrina e suas amigas …. coitadas.

Esse post não é para julgar o valor da literatura safadinha – porque acredito que toda literatura tem seu valor e público. Mas sim para provocar um pensamento: Grey, Gabriel, Gideon. Estariam todos em busca do ponto G ou terão eles o mapa da mina?

Se eles têm o mapa, leitoras, apresentem os livros para seus parceiros! Se ainda não têm certeza do caminho … bem, a diversão está na jornada, né?

Confira abaixo algumas respostas que Sylvia Day deu (heheheh) e que achei muito bacanas.

“Gosto de escrever romances entre um homem e uma mulher com o equipamento que Deus lhes deu. Não gosto de sado-masoquismo”

“Quando era mais jovem, tive alguns Gideons na minha vida. Eles estão por aí. Não percam a esperança”

“Não tenho férias há 10 anos. Fico no computador de manhã até a noite para a escrita acontecer. É preciso ser paciente e persistente. Em alguns dias, escrevo 20 páginas e em outros, 3”

“Gosto de escrever romance e para mim, naturalmente, o romance anda de mãos dadas com sexo. Logo, escrevo erótico porque é natural”

“Não entendo um bom herói romântico que não seja bom de cama e goste de sexo”

“Mulheres gostam de sexo. Nos deixa feliz e queima calorias. Acho que homens deveriam ser melhores nisso para nos fazer mais felizes. A vida é bem melhor quando se está tendo ótimo sexo”.

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Um pensamento em “Literatura safadinha”

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